Posted novembro 6, 2017 by equipetribuna in Paulínia
 
 

Doleiro pode ter operado desvio de milhões de reais em Paulínia

Segundo afirma o site Correio Pauilinense, o doleiro esteve em Paulínia e chegou a discutir com o prefeito da época por causa da divisão do dinheiro desviado. O nome do então prefeito não foi divulgado

Envolvido na Lava Jato, Lúcio Funaro teria sido um dos principais aliados em esquema de corrupção que pode resultar na prisão de um ex-prefeito do município

O jornalista Mizael Marcelly, do Portal Correio Paulinense, deixou alguns políticos da cidade preocupados ao os colocarem sob suspeita em um esquema de desvio de dinheiro. A denúncia foi peita em sua coluna “Deixem-me Falar”, publicada no dia 30 de outubro, sob o título “Funaro pode ter operado milhões desviados de Paulínia: o doleiro e um ex-prefeito da city brigaram pela “partilha” dentro do gabinete!”.
Na quinta-feira, dia 26, alguns dias antes de publicar o texto, o jornalista, havia publicado uma nota dizendo ter recebido informações de uma fonte, de que o Ministério Público Federal (MPF) havia pedido as prisões preventivas de um ex-prefeito e de um ex-secretário municipal de Paulínia, mas que não publicaria o nome dos agentes, enquanto não houvesse a confirmação pelo órgão da Justiça.
Ainda segundo o jornalista, as prisões por tempo indeterminado seriam decorrentes de uma investigação judicial sigilosa, envolvendo suposto desvio de dinheiro no Instituto Pauliprev (Instituto de Previdência dos Funcionários Públicos de Paulínia).
Quatro dias depois, Marcelly novamente trouxe o caso a tona dizendo que a situação ainda seria mais grave, pois não apenas o ex-prefeito e o ex-secretário estariam envolvidos na questão, mas que de acordo com uma investigação que já durava três anos envolvia o nome de mais de 60 pessoas, em uma grande rede criminosa do desvio do dinheiro público de Paulínia, entre eles o famoso doleiro Lucio Funaro, preso e levado à Curitiba pela Operação Sépsis, em julho do ano passado e um dos delatores da Operação Lava Jato.
Segundo a Lava Jato, Funaro foi operador do ex-deputado Eduardo Cunha, que também está preso na capital paranaense e o doleiro teria operado alguns milhões desviados dos cofres públicos de Paulínia. Desconhecido ainda na época em que veio até a cidade, o ele esteve algumas vezes por aqui sem despertar alarde com sua presença.
Em uma de suas visitas na cidade, Funaro e o ex-prefeito alvo das denúncias teriam tido um forte desentendimento devido a partilha dos valores desviados dos cofres públicos, sendo retirado por seguranças do chefe do Executivo.
Para evitar maiores escândalos, o então prefeito escalou um de seus secretários mais próximos para uma reunião com o doleiro, em um escritório na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Capital. A missão dele seria resolver o mal entendido e fazer a divisão da melhor forma.
Ainda segundo o jornalista, o desvio do dinheiro não seria proveniente apenas do Pauliprev, mas também originárias de licitações fraudulentas de merenda e uniforme escolar, milhões em notas fiscais de serviços que nunca foram prestados ao município, factoring que lavava dinheiro do grupo do então prefeito. Além ainda da existência de um empresário mineiro que distribuía dinheiro de propina aos envolvidos.

Quem é Funaro

Lúcio Bolonha Funaro é um economista e doleiro brasileiro que ganhou notoriedade ao ser preso no escândalo da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal do Brasil. Envolvido em vários escândalos de corrupção nas últimas duas décadas, firmou diversos acordos de cooperação com as autoridades, para escapar de punição.
Foi investigado no Escândalo do Banestado, em 2003, pelo juiz Sergio Moro onde firmou seu primeiro acordo de cooperação.
Funaro ganhou os holofotes no Escândalo do Mensalão, em 2005. Fundou a empresa Guaranhuns, que o lobista Marcos Valério teria usado para repassar 7 milhões de reais ao PL, foi considerado operador de Ricardo Sérgio, ex-tesoureiro do PSDB. Na época, aos 31 anos de idade, teria uma fortuna avaliada em 15 milhões de reais.
Foi elemento de ligação para o deputado Valdemar Costa Neto receber 6,5 milhões de reais em propinas. Em sua delação forneceu documentos de transações e informações sobre as atividades de sua empresa Garanhuns no esquema, além de confessar integralmente os crimes que cometeu e seus cúmplices, ajudando a condenar Costa Neto, entre outros. Foi condenado por lavagem de dinheiro, mas não foi preso graças a um acordo de delação premiada.
Delatou um esquema de venda de sentenças judiciais na Operação Themis, em 2007. Foi preso na Operação Satiagraha, em 2008.
Foi novamente preso julho de 2016, na Operação Sépsis. Classificado pelo Procurador-Geral da República Rodrigo Janot como um dos grandes operadores da organização criminosa investigada na Operação Lava Jato.
Era parte do esquema que operava na Caixa e que funcionava da seguinte maneira: políticos indicavam diretores para a Caixa; estes, por sua vez, faziam liberações de financiamentos do FI-FGTS para empresas selecionadas em troca de propina; o dinheiro da propina era então repassado ao político. Funaro foi delatado pelo ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto que fazia parte do comitê de investimento do FI-FGTS. Por causa disso, Funaro teria ameaçado colocar fogo na casa de Cleto, com os filhos dentro. Depois disso a esposa de Cleto, mudou-se com os filhos para os Estados Unidos.

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