Posted novembro 11, 2017 by Tribuna Paulínia in Paulínia
 
 

Replan é multada em R$ 1 milhão após emissão de fumaça tóxica

Na quarta-feira, dia 1º de novembro, a Refinaria de Paulínia sofreu uma parada operacional de emergência, a terceira registrada em menos de 30 dias, e fumaça preta assustou população. Sindicato disse que gases tinham alto poder de explosão

Na terça-feira (7), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) multou a Petrobras em R$ 1 milhão por conta do acidente ocorrido na semana passada na maior refinaria da estatal, Replan, que lançou gases poluentes na atmosfera. A companhia determinou ainda que a refinaria tome as providências necessárias para impedir novas emissões de poluentes na atmosfera durante a partida das unidades operacionais.
No dia 1°, por volta das 13h, a Cetesb foi acionada para atender um acidente na Replan, onde havia ocorrido o rompimento de uma tubulação de ar de instrumento, que é ar comprimido, causando a interrupção abrupta de todo o fornecimento desse ar para as linhas de produção.
Todos os gases gerados nesses processos tiveram de ser direcionados para os “flares” da refinaria, que não puderam operar normalmente pela falta de ar comprimido e vapor, “suprimento este crucial para o bom funcionamento dos queimadores”, aponta a Cetesb. As emissões permaneceram até a regularização do suprimento de vapor para os equipamentos. A fumaça preta e tóxica podia ser vista de longe e, segundo o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP), tinha alto poder de explosão, o que deixou a população assustada. Os trabalhadores foram evacuados do setor. A fumaça era formada pela mistura de gasolina, GLP e óleo diesel vaporizados e era altamente inflamável.
Segundo a Cetesb, as emissões de gases na atmosfera aconteceram até às 23h30 do mesmo dia, quando houve a regularização do suprimento de vapor para esses equipamentos. A Refinaria de Paulínia operou de forma parcial e com cinco unidades paradas até quarta-feira (8), de acordo com informação do Sindicato.
A Replan tem capacidade para processar 415 mil barris diários de petróleo. Já a Petrobras informou que houve risco de desabastecimento do mercado por conta da parada da unidade, e que a mesma já voltou a funcionar gradativamente.

Auto de infração

Conforme consta no Auto de Infração, entre outras exigências, a Petrobras deverá adotar providências adequadas para impedir a emissão de poluentes na atmosfera e comunicar à Cetesb quaisquer situações que provoquem ou possam provocar emissões de poluentes.
Outras exigências mencionam que a Petrobras deverá revisar os procedimentos operacionais da refinaria, assim como o Plano de Ação de Emergência e o Plano de Gerenciamento de Riscos, apontando as falhas que resultaram na parada abrupta.
A Petrobras respondeu, em nota, que recebeu a multa e está tomando as medidas. A empresa citou que a Replan já normalizou 95% do seu processo produtivo e que não há risco de desabastecimento do mercado. “A operação da Replan atende a todas as normas de segurança previstas em legislação e aos padrões de segurança operacional da companhia”.

Na retomada dos trabalhos, mais fumaça e barulho
Depois do acidente do dia 1º, as chaminés da Replan, em Paulínia, voltaram a chamar atenção de pessoas que moram no entorno da refinaria na noite de terça-feira (7). O local voltou a soltar muito fogo e fumaça. Nas redes sociais dezenas de relatos falavam sobre as chamas que estavam muito intensas causando novamente preocupação.

A Petrobras informou que as novas chamas e a fumaça mais intensa faziam parte do procedimento normal de reinício das turbinas da refinaria. Informou também que a unidade está retomando a produção depois do problema registrado na semana passada no local. No dia 1º de novembro, uma suposta oscilação de energia elétrica na refinaria provocou uma fumaça preta altamente tóxica, que assustou os moradores.

Se o vento estivesse em direção oposta, poderia ter havido uma explosão (TARJA)
No dia 3 de novembro, dois dias após o acidente na Replan, o Sindipetro postou um vídeo em seu canal no Youtube, o TV Petroleiros, onde explica com exatidão o que aconteceu dentro da refinaria e o que poderia ter acontecido se naquele momento da emissão da fumaça e dos gases, o vento estivesse na direção contrária.
O diretor Artur “Bob” Ragusa disse que foi sorte os ventos estarem em uma direção que evitou uma catástrofe. “Para as pessoas que acompanharam através de fotografias e vídeos, podem perceber que parte da fumaça que saía da refinaria era uma fumaça preta que saía das tochas. Essas tochas são sim um equipamento de segurança… Porém, nos vídeos e nas fotos é possível ver um outro tipo de fumaça, um pouco mais marrom, ou mais esverdeada, depende do ângulo, e que não estava saindo das tochas, ela estava saindo de uma chaminé dessa unidade que sofreu descontrole. E essa fumaça sim é uma fumaça toxica e inflamável. Gerou uma nuvem gigantesca de gás inflamável explosivo e por sorte da direção que o vento estava tomando naquele momento, essa fumaça não encontrou uma fonte de ignição. Se tivesse encontrado, essa nuvem teria se inflamado e talvez até mesmo explodido, e aí, provavelmente metade ou mais da refinaria tinha explodido junto”, explicou.
Além disso, Gustavo Marsaioli, outro diretor do Sindicato, disse que houve outros problemas sérios durante a pane da Replan. “Também teve outros problemas, como por exemplo, o plano de evacuação que não funcionou, o tifon levou quase 30 minutos para ser tocado, o sinal de emergência para evacuação das áreas não tocou, os líderes de abandono ficaram sem instrução do que fazer, demorou muito tempo até ter instrução de evacuação, ou seja, os trabalhadores ficaram expostos”.
De acordo com os sindicalistas, a brigada de emergência foi impedida de funcionar por conta da falta de funcionários. “Não funcionou porque isso levaria até um contingente menor de operadores na área, e esse é um problema que a gente vem denunciando há bastante tempo”.

Perigo iminente
Segundo os diretores, o Sindicato já fez várias denúncias e luta contra a redução do efetivo da Replan que, de acordo com a opinião deles, resulta no agravamento de situações de emergência como aconteceu no acidente do dia 1º de novembro.
“Nós estamos denunciando faz muito tempo o problema que vem resultando com a redução dos efetivos da refinaria. Nós temos uma liminar na Justiça com uma perícia técnica que indica que não é seguro reduzir o efetivo da refinaria, porém a Petrobras também conseguiu uma decisão judicial favorável e por isso, aplicou a redução dos efetivos. Com esse efetivo reduzido, tem menos operadores para responder às situações de emergência como essa”, ressaltou Bob.
Ao final do vídeo, os diretores ainda pedem o apoio da população e alertam para os perigos de redução de funcionários na refinaria.
“Nós estamos denunciando, estamos alertando a comunidade do entorno, as Prefeituras e as Câmaras municipais, pressionando o judiciário, e aqui com a categoria, estamos aprovando o corte de rendição caso a partida da refinaria não obedeça a critérios de segurança que nós julgamos os mais adequados. Contamos com o apoio de todos para nos dar voz, para propagar nossa mensagem e para nos ajudar a denunciar a atual gestão da Petrobrás que está apostando em redução do investimento nas refinarias, redução da manutenção e redução do efetivo de operação, isso certamente vai resultar numa tragédia no futuro”, finalizou.

Movimento quer saída de Pimentel
O Jornal Tribuna apurou que já existe um movimento que envolve sindicato, funcionários e familiares, que pede a saída do gerente geral da Replan, Cláudio Pimentel. Nas redes sociais, eles afirmam que falta de gestão e apoio de Pimentel está deixando funcionários “à deriva”. “Ele é conivente com os cortes da Petrobras e não age pela nossa Replan”, justificou um funcionário.

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