Posted novembro 29, 2017 by equipetribuna in Paulínia
 
 

Cláudio Pimentel gerente geral da Replan, barra entrada do Sindicato na refinaria

O gerente geral da refinaria, Claudio Pimentel, não permitiu que membros do Sindicato acompanhassem a “inspeção” que seria realizada nesta sexta-feira 24, na Replan. Com isso, a comissão de parlamentares da Câmara dos Deputados cancelou a visita que faria à Refinaria.

 

O deputado federal Vicentinho (PT-SP), integrante da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara, pediu informações detalhadas sobre a parada emergencial da Replan, ocorrida no dia 1º de novembro, e afirmou que a visita parlamentar só será realizada com a presença dos sindicalistas. Se houver consenso com a empresa, uma nova data será agendada.

 

Os deputados decidiram vistoriar as condições da Refinaria de Paulínia, após o acidente, que provocou a paralisação de todas as unidades operacionais da empresa e lançou fluídos tóxicos e inflamáveis na atmosfera, assustando os trabalhadores e moradores da região. A produção da Replan demorou mais de uma semana para ser normalizada.

 

Sindicato afirma que ingerência pode trazer consequências severas

 

O Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) de Campinas está fazendo um alerta sobre a situação de ingerência que está acontecendo na Replan e que pode ter severas consequências não só para os trabalhadores, mas também para a população de Paulínia e cidades de Região. A ex-vereadora Angela Duarte está apoiando a causa e esteve reunida com o Sindicato na tarde desta quinta-feira, 23, para debater o assunto.

 

Os principais problemas apontados na reunião são a falta de manutenção da Refinaria, o que aumenta o risco de acidentes, e o efetivo reduzido, o que dificulta o trabalho no caso de uma situação de emergência. Para Angela Duarte, a principal saída seria a abertura de um concurso público para contratar novos funcionários e, assim, garantir a segurança de todos os envolvidos.

 

Os problemas da Replan ficaram mais evidentes no dia 1º de novembro, depois que a Refinaria sofreu uma parada operacional de emergência, a terceira registrada em menos de 30 dias, e uma fumaça preta assustou a população.

 

Segundo o diretor do Sindipetro, Alexandre Castilho, a Petrobras tem feito desinvestimentos com o objetivo de reduzir seus gastos. Além disso, recentemente houve um plano de demissão voluntária, o que diminuiu drasticamente o quadro de funcionários. “A junção dessas duas situações acaba colocando em risco trabalhadores e moradores do entorno da Refinaria”, disse.

 

De acordo com Castilho, o esforço do Sindicato é para que a empresa faça os investimentos necessários e garanta a reposição do efetivo para que a Replan volte a operar de forma adequada. “Fazemos um apelo para que a população nos ajude a pressionar para que a Petrobras volte a se enquadrar numa forma de operação segura”, afirmou.

Causas e responsabilidade

A visita à Replan foi marcada com o objetivo de averiguar os motivos que provocaram a situação de emergência na refinaria e as medidas tomadas até agora pela empresa para a solução do problema e a prevenção de novos acidentes de trabalho. Os parlamentares também querem informações sobre a redução dos efetivos operacionais.

 

Risco de explosão

No dia 3 de novembro, dois dias após o acidente na Replan, o Sindipetro postou um vídeo em seu canal no Youtube, o TV Petroleiros, onde explica com exatidão o que aconteceu dentro da refinaria e o que poderia ter acontecido se naquele momento da emissão da fumaça e dos gases, o vento estivesse na direção contrária.
O diretor Artur “Bob” Ragusa disse que foi sorte os ventos estarem em uma direção que evitou uma catástrofe. “Para as pessoas que acompanharam através de fotografias e vídeos, podem perceber que parte da fumaça que saía da refinaria era uma fumaça preta que saía das tochas. Essas tochas são sim um equipamento de segurança… Porém, nos vídeos e nas fotos é possível ver um outro tipo de fumaça, um pouco mais marrom, ou mais esverdeada, depende do ângulo, e que não estava saindo das tochas, ela estava saindo de uma chaminé dessa unidade que sofreu descontrole. E essa fumaça sim é uma fumaça toxica e inflamável. Gerou uma nuvem gigantesca de gás inflamável explosivo e por sorte da direção que o vento estava tomando naquele momento, essa fumaça não encontrou uma fonte de ignição. Se tivesse encontrado, essa nuvem teria se inflamado e talvez até mesmo explodido, e aí, provavelmente metade ou mais da refinaria tinha explodido junto”, explicou.
“ A principal saída seria a abertura de um concurso público para contratar novos funcionários e, assim, garantir a segurança de todos os envolvidos”, Angela Duarte, ex-vereadora

 

“Fazemos um apelo para que a população nos ajude a pressionar para que a Petrobras volte a se enquadrar numa forma de operação segura”, Alexandre Castilho, diretor do Sindipetro

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