Início Colunas Apertem os cintos, o piloto… Por Sami Goldstein

Apertem os cintos, o piloto… Por Sami Goldstein

Algumas importantes reflexões precisam ser feitas. Longe de pessimismo, mas um profundo realismo que nos impõe “por o pé no chão” e encarar de frente os desafios. A pesquisa Global Talent Trends 2022 do LinkedIn aponta que as contratações no mercado de trabalho no mundo estão se estabilizando após altas expressivas e a tendência de desaceleração tende a permanecer em 2023. O estudo, de outubro de 2022, revela que, em uma amostra de 14 países, a taxa de contratação diminuiu em relação ao ano anterior. No topo da lista, o Brasil (-15%) só perde para a Índia (-18%). Na mesma pesquisa, a confiança de candidatos e funcionários em sua capacidade de melhorar sua situação financeira diminuiu ou permaneceu baixa em oito países. São eles Austrália, Holanda, França, Japão, EUA, Alemanha, Índia e Reino Unido, todos incluídos no Índice de Confiança da Força de Trabalho do LinkedIn. Para a economista-chefe da empresa, Karin Kimbrough, “em 2022, vimos um ritmo de crescimento mais lento, já que a economia volta à terra depois de uma ascensão meteórica em 2021, em uma das recuperações mais rápidas que já vimos. No entanto, a dinâmica do mercado de trabalho continua apertada.”

Nesse mesmo sentido, a Sondagem do Mercado de Trabalho, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), em dezembro, mostra que o desemprego é a principal motivação de mais de um terço dos brasileiros que optam pelo trabalho por conta própria (32,1%). Segundo o estudo, a falta de alternativa de um emprego com carteira assinada é o que deu condições para grande parte dos brasileiros procurarem a modalidade de trabalho, marcada pela informalidade. Em seguida, entre as motivações, aparecem a vontade de ter mais independência (22,9%), flexibilidade (13,6%) e uma fonte de renda extra (12,3%). Para Fernando de Holanda Barbosa, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada da Ibre/FGV, o país passa por uma “tendência de pejotização”. “A gente observa uma parte de flexibilidade entre o nível de renda. No nível de renda mais baixo é uma modalidade que amortece a crise. Houve bastante disso, por exemplo, com os trabalhadores por aplicativo, as pessoas perdem o emprego e essa acaba sendo a forma delas colocarem alguma renda em casa rapidamente”, afirmou, conforme publicado pelo Correio Braziliense.

Em 1980, um filme fez muito sucesso. Nele, o piloto Ted Striker, ex-combatente de guerra, é forçado a assumir os controles de um avião quando a tripulação sucumbe à comida contaminada. Elaine, sua namorada, tem de ser aeromoça e copiloto. Juntos, eles vão tentar salvar os passageiros e terminar o voo com sucesso, mas com um agravante: ele é neurótico. O nome não poderia ser mais sugestivo: Apertem os cintos, o piloto sumiu! No cinema, uma comédia. Na vida real, um dilema. Estamos em um voo global conjunto pleno de desafios. Precisamos de pilotos com planos concretos, viáveis, sustentáveis e, principalmente, não neuróticos. Precisamos de metas com caminhos bem delineados a serem trilhados. Os cintos já apertamos. Já os pilotos…