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Buscas por menino levado pela enxurrada entram no quarto dia

Fábio Martins Júnior, de 5 anos, está desaparecido desde a tarde de domingo

 

O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil retomaram na manhã desta quarta-feira (4) as buscas pelo menino de 5 anos levado pela enxurrada  no Jardim Santo Antônio, em Campinas, durante a forte chuva que atingiu a cidade no domingo (1º). Este é o quarto dia de trabalhos. Fábio da Silva Martins Júnior desapareceu depois de se soltar dos braços da mãe e ser levado pela correnteza de um córrego que corta o bairro e desemboca no Rio Capivari.

Como o córrego não é navegável, os bombeiros fazem buscas nas margens, em um trecho que tem entre 5 e 6 km de comprimento, antes do encontro com o Rio Capivari. “As buscas continuam até se esgotarem todas as hipóteses. O volume de água no dia estava grande. Ele pode ter sido arrastado, como [pode ter] ficado soterrado em um banco de areia”, disse o capitão. Segundo, Oscar Aoyama, as equipes não buscavam o garoto através de mergulhos porque a água do córrego é suja e cheia de esgoto. Na terça-feira (3), o helicóptero da Polícia Militar reforçou os trabalhos.

A mãe do garoto está inconsolável e se culpa pelo acidente

“Devia ter acontecido comigo”

Abalada e mesmo com um corte profundo na perna, a cozinheira desempregada Maria Aparecida Queiroz, mãe de Fábio da Silva Martins Júnior, voltou a entrar no córrego pelo qual o garoto foi levado na terça-feira. “Eu tomei um remédio e andei o córrego todinho para ver se eu encontrava. Não tenho sossego, preciso achar o meu bebê. Devia ter acontecido comigo”, afirmou Maria Aparecida. Ela está sedada e tem febre provocada pelo ferimento.

De acordo com a mãe, o menino costumava brincar numa chácara, onde há piscina. “Ele ia sozinho, atravessava o córrego e tudo”. No domingo, ela foi com o filho a esta propriedade onde acontecia uma comemoração de Ano Novo. “Tinha dado uma chuva muito forte. Mas [no momento] estava só uma garoa fraca. Não deixei ele entrar na piscina.”

Como Fábio estava com fome, ela decidiu voltar para casa. “Não demoramos nada lá. Eu queria dar comida para ele. Colocar uma roupa quente.” Ao ver o volume de água do córrego, o garoto teve medo. “Ele me disse: ‘mãe não vai, não'”, conta Maria Aparecida. A mãe se prontificou, então, a atravessar o córrego com ele no colo. “Nunca pensei que podia acontecer uma coisa dessas. A água me derrubou. Tentei segurar, mas comecei a beber água e não conseguia mais encostar no chão. Foi o momento em que ele escapou”, contou.

Desde o momento do acidente, ela tenta encontrar o garoto. Várias vezes ela já percorreu o córrego. Comovidos com o drama da cozinheira, os vizinhos também se lançaram a procurar o menino. “Já procuramos bastante. Eu caí dentro d’água, procurando e nada. Ele pode estar soterrado”, diz o vizinho Derivan da Silva, de 42 anos. (EPTV)