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Em meio à pandemia, casos de dengue explodem na região

Levantamento do DMS Burnier mostra que no primeiro trimestre casos da doença tiveram aumento de 168% em relação ao mesmo período de 2019

Enquanto concentra todos os seus esforços para evitar a contaminação em massa da população pelo novo coronavírus, a região de Campinas vive em estado de alerta pelo novo surto de uma doença bastante conhecida: a dengue. Um levantamento feito pelo Laboratório DMS Burnier mostra que nos três primeiros meses de 2020 os casos de dengue na nossa região tiveram um aumento de 168% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 78 casos de dengue registrados de janeiro a março deste ano, contra 29 nos mesmos meses de 2019.

De acordo com o levantamento do DMS, os números da nossa região estão bem acima dos números nacionais. De acordo com dados do Ministério da Saúde, só nas doze primeiras semanas de 2020, ao menos 441.224 casos de dengue foram notificados em todo o país. Um aumento de 61% em relação aos casos notificados no mesmo período em 2019, que foi de 273.193 notificações. “Esse aumento de casos tem relação com a circulação de um sorotipo diferente do vírus. Durante anos houve o predomínio dos sorotipos 1 e 4 e, a partir de 2019, o sorotipo 2 voltou a circular no país. Não se trata de uma mutação. Esse sorotipo já existia, porém não circulava. A maioria das pessoas não tem anticorpos contra esse sorotipo, e assim fica sujeita ao contágio”, explica a médica patologista do DMS Burnier, Juliana Oba Costa.

O aumento significativo dos casos de dengue por si só já é preocupante. Mas, o cenário fica ainda mais crítico quando se leva em consideração as projeções do Ministério da Saúde que dizem que o pico de transmissão da Covid-19 acontece agora em abril e maio, justamente no período em que costuma ocorrer a epidemia sazonal de dengue no país. Além de toda a sobrecarga que os encontro das duas doenças poderá trazer para o sistema de saúde, há também a possibilidade de uma mesma pessoa contrair os dois vírus ao mesmo tempo. “Como são vírus diferentes, o contágio do indivíduo por um deles não o torna imune ao outro. Basta estar susceptível e ter contato com os dois, sendo picado pelo mosquito infectado e sendo contaminado pelo coronavírus”, esclarece a patologista.

Além da variação do sorotipo circulante, existem outros fatores que colaboram para que a dengue continue, ano após ano, como uma das endemias que mais desafiam a saúde pública no Brasil. Dentre esses fatores, a doutora Juliana aponta as condições meteorológicas de um país tropical e, principalmente, os fatores culturais e comportamentais. “Por mais que existam campanhas educativas, as pessoas insistem no erro de não eliminar os criadouros”, conclui.

Aproveitar o período de aquisição de novos hábitos em relação à higiene pessoal e da casa, e estendê-los até o quintal, tomando os devidos cuidados para a eliminação de possíveis suportes para a água parada como os vasos de plantas, pneus, garrafas pet, além de cuidar da limpeza da piscina, pode contribuir para que a dengue deixe de ser uma endemia nos próximos anos.