Início Paulínia ‘Nós fomos criadas juntas’, diz jovem que apanhou de colega em Paulínia

‘Nós fomos criadas juntas’, diz jovem que apanhou de colega em Paulínia

Vídeo mostra aluna agredindo colega com cadeira em escola de Paulínia

Família disse que as duas eram melhores amigas e que está chocada; o motivo da briga não foi revelado

A estudante do 2º ano do ensino médio, que se envolveu em uma briga na escola estadual Padre José Narciso Vieira Ehrenberg, no bairro João Aranha em Paulínia, na quarta-feira (17), afirmou que até o momento não entendeu o motivo das agressões que sofreu da colega dentro da sala de aula. Segundo a adolescente de 16 anos, as duas sempre foram melhores amigas. “Nós fomos criadas juntas. Eu estou muito chocada, ela vivia na minha casa, minha família adora ela, tinha ela como filha. Agora ela chega e me agride desse jeito. Não acredito até agora”, disse.
A jovem garantiu que não aconteceu nenhuma discussão, briga ou motivo aparente que pudesse causar aquela reação. “Tem gente falando que foi por causa de namorado, de vários motivos, mas eu garanto que isso não aconteceu. Pode ter sido fofoca, mas eu não posso afirmar nada”.
A agredida afirmou que iria registrar um boletim de ocorrência contra a escola por causa da omissão em relação às constantes brigas que acontecem entre alunos, mas que não vai registrar nada contra a colega. “A escola tem câmeras, mas as câmeras não funcionam, todo mundo briga e a única coisa que a diretora faz é dar suspensão”.
Além disso, ela e a família vão procurar o Conselho Tutelar para receber orientações de como proceder após as agressões, mas a estudante disse que não pretende pedir transferência da escola. O pai dela, Antônio Paula da Silva, afirmou que ficou chocado com a atitude da jovem porque sempre a tratou como filha. “Ela vivia na minha casa, eu levava ela para comer pizza, é inacreditável. Queremos que a diretora da escola tenha uma postura mais rígida para que a gente possa ficar tranquilo da minha família voltar na escola”.
Tentamos contato com a outra estudante que participou da briga e também com a diretora da unidade de ensino, mas até a publicação da reportagem não obteve retorno. Em nota, a Secretaria Estadual de Educação considerou “lamentável” o caso de agressão. Além disso, informou que convocou os responsáveis pelas adolescentes, de 16 anos, para uma reunião e acionará o Conselho Tutelar. As estudantes foram suspensas por três dias.

Conselho Tutelar
A conselheira Daniella Barreto, disse ao site de notícias G1 que o ato infracional e de indisciplina escolar foge da atribuição do órgão. “O que o Conselho faz são estatísticas e encaminhamento para os órgãos de atendimento”, explica.  No caso da briga, Daniella afirma que o caso deverá ser resolvido na Vara da Infância. “O que será oferecido por parte do Conselho é atendimento para a família, atendimento posterior a essas adolescentes”.

Vídeo
Um vídeo gravado na quarta-feira mostra a briga dentro da sala de aula. Uma das estudantes dá socos e pisa na colega, além de arremessar uma cadeira para atingi-la. Um professor acompanha o incidente, mas pouco faz para separar as jovens. A assessoria da diretoria regional reiterou que a conduta do professor será apurada e, caso sejam verificadas falhas, providências serão tomadas.

Violência é comum no local
A briga entre as duas alunas da Escola Estadual Padre José Narciso Vieira Ehrenberg não é um ato isolado, segundo pais e vizinhos da unidade.  Em abril de 2011, uma professora da unidade de ensino foi agredida ao pedir que dois alunos parassem de brigar. Na época, foi registrado um boletim de ocorrência, no qual é relatado que em uma discussão entre dois alunos, a professora pediu que os jovens não se agredissem.
Um deles quis sair da sala, mas a professora tentou impedir. O adolescente, então, empurrou as carteiras e deu dois socos no rosto dela.
Violência entre jovens tem ocorrido principalmente do lado de fora do prédio, relatam. “Está sendo comum. A noite é mais constante”, disse o vigilante Luiz Márcio Pereira, vizinho da escola. Segundo ele, as brigas ficaram mais frequentes depois que a saída dos alunos ser transferida para os fundos do imóvel e não mais na parte da frente. “Briga do lado de fora acontece muito”, disse a auxiliar de cozinha Kátia da Silva Bezerra, que tem filhos no local.
Sobre a briga entre as alunas nenhum boletim de ocorrência havia sido registrado na Polícia Civil de Paulínia até as 8h desta quinta-feira (18).