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Redução da jornada e fim da escala 6×1 ganham apoio e reacendem debate sobre o equilíbrio entre trabalho e vida

Governo federal e entidades empresariais defendem mudanças que priorizam o bem-estar do trabalhador; em Paulínia, ACIP reforça a necessidade de rever jornadas e fechar mercados aos domingos

O debate sobre o fim da escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para apenas um de descanso, voltou a mobilizar o país e reacendeu uma discussão sobre o equilíbrio entre produtividade, qualidade de vida e valorização do trabalhador.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal adiou, nesta semana, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). O texto propõe a redução da jornada semanal para até 36 horas, sem perda salarial, e garante dois dias de descanso consecutivos, preferencialmente aos sábados e domingos, medida que, na prática, põe fim à escala 6×1.

O relator da proposta, senador Rogério Carvalho (PT-SE), classificou a mudança como uma medida de justiça social. Segundo ele, o modelo atual reforça desigualdades históricas, já que os trabalhadores com menor renda e escolaridade são justamente os que enfrentam as jornadas mais longas.

“A redução da jornada máxima representa um padrão mínimo civilizatório. Os que ganham menos não podem continuar sendo os que mais trabalham e menos descansam”, afirmou o parlamentar.

O autor da proposta, senador Paulo Paim, destacou que o fim da escala 6×1 também está relacionado às novas dinâmicas do mercado de trabalho, marcadas pela automação e pela inteligência artificial.

“Está em jogo a saúde, a vida e o bem-estar do trabalhador. Reduzir a jornada é prevenir doenças, reduzir acidentes e aumentar a produtividade. O povo brasileiro quer essa mudança e ela vai acontecer”, declarou Paim.

Levantamento do Instituto DataSenado, solicitado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), mostra que 85% dos brasileiros acreditam que teriam mais qualidade de vida com um dia livre a mais por semana. A mudança, segundo o relatório, beneficiaria 38 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

 

Setor supermercadista enfrenta crise de mão de obra

Entre os setores mais afetados pela discussão está o varejo supermercadista, tradicional adepto da escala 6×1. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o país tem 357 mil vagas abertas, e as redes enfrentam dificuldades para encontrar profissionais dispostos a aceitar jornadas longas com apenas um dia de folga.

Considerado porta de entrada no mercado de trabalho, o setor tem perdido atratividade entre os mais jovens, que buscam jornadas mais flexíveis, melhores condições de trabalho e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Diante da crise de mão de obra, supermercados de diferentes estados vêm testando iniciativas alternativas de contratação. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma parceria entre a Associação dos Supermercados do Estado (Asserj) e o Corpo de Fuzileiros Navais já qualificou mais de 500 egressos da Marinha para atuação no varejo, em um projeto-piloto apoiado pela Abras.

Para especialistas, o cenário reforça que o modelo atual de jornada já não atende às expectativas da nova força de trabalho e precisa ser repensado com urgência.

 

Reflexos em Paulínia

Em Paulínia, a discussão também ganha força. O presidente da Associação Comercial e Industrial (ACIP), Wilson Machado, defende uma revisão do modelo atual de funcionamento dos mercados, especialmente quanto à abertura aos domingos.

“É preciso repensar o modelo que exige jornadas exaustivas e compromete o convívio familiar. A retomada do fechamento dos mercados aos domingos seria um passo importante para o bem-estar dos trabalhadores e para o fortalecimento do comércio local”, afirmou Machado.

Segundo ele, a valorização do trabalhador deve caminhar junto com a sustentabilidade das empresas. “Não se trata de punir o empresário, mas de criar um ambiente mais equilibrado, onde o trabalhador tenha qualidade de vida e o comércio possa crescer de forma saudável”, completou.

 

Equilíbrio e modernização

A proposta de revisão da jornada semanal e o fim da escala 6×1 simbolizam um movimento nacional por justiça social e modernização das relações de trabalho.

Tanto o governo federal quanto entidades como a ACIP enxergam na medida um avanço civilizatório, que busca conciliar produtividade e dignidade humana.
Com a discussão ganhando corpo em Brasília e ecoando nas cidades, Paulínia se destaca como exemplo de município que apoia um novo modelo de desenvolvimento, mais humano, justo e sustentável.