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Segundo Ciesp 69% das indústrias na região estimam pelo menos 6 meses para normalizar negócios

Levantamento mostra ainda que 21% das companhias ouvidas sinalizaram demissões por causa da pandemia da Covid-19

As indústrias da região de Campinas estimam necessidade de pelo menos seis meses para alcançar a normalização dos negócios, caso o período de quarentena por causa do novo coronavírus seja encerrado em 10 de maio nos municípios paulistas, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (28) pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado). Além disso, indica que 21% das 60 companhias ouvidas no levantamento demitiram funcionários por causa da pandemia.

A entidade com 494 empresas associadas mostra que 33,3% esperam pela estabilização em seis meses, enquanto 27,2% consideram até dez meses para retomada integral das atividades.

“Mesmo com a retomada das atividades, no primeiro momento as pessoas terão receio de ir às ruas, fazer compras. Uma grande parte da população estará sem dinheiro, são autônomos, pessoal que trabalha sem carteira registrada. Essas coisas todas vão retomando muito devagar. O ruim acontece muito rápido e bom demora para voltar. […] Teremos muito desemprego e gente sem renda. É um círculo. Se você romper o elo mais precioso, que é o emprego, fica sem renda não tem consumo, não tem produção industrial, não tem trabalho”, avalia o diretor do Ciesp-Campinas, José Nunes Filho.

Entre os fatores que influenciam nas expectativas dos representantes, de acordo com o Ciesp, estão a preocupação com o valor do dólar – cotado em R$ 5,51, e expectativa de queda do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. A lista de setores mais afetados inclui automobilístico e de eletroeletrônicos.
Por outro lado, quase um quarto das empresas avaliadas acredita em recuperação integral dos negócios em menos tempo – até quatro meses. Entre os setores que estão conseguindo manter as operações ou indicaram crescimento no interior paulista estão os de alimentos, fármacos e químicos.

Efeitos da crise e problemas
O levantamento realizado pelo Ciesp diz que que 69% das empresas sinalizaram que já sentem impactos decorrentes da pandemia da Covid-19, enquanto 21,1% esperam por reflexos no período entre um e três meses. As demais companhias não souberam estimar um prazo para que isso ocorra.
Para 78,7% das empresas, a crise de saúde é mais abrangente para o mundo dos negócios, do que a de 2008, originada no setor hipotecário dos Estados Unidos e que teve como marco a quebra do banco Lehman Brothers. Ao todo, 6% consideraram “iguais”, enquanto 15,1% avaliaram menos abrangente.

Os três problemas mais listados pelas companhias no momento são referentes aos cancelamentos ou suspensão de vendas, queda na demanda por produtos e as solicitações para prorrogação nos recebimentos.

Cancelamento ou suspensão de vendas – 63,64%
• Queda na demanda por produtos – 60,61%
• Solicitações para prorrogação nos recebimentos – 51,52%
• Dificuldade para prosseguir com os pagamentos de rotina – 42,42%
• Redução na produção – 30,3%
• Dificuldade em conseguir insumos e matérias-primas – 21,21%
• Redução da oferta de capital de giro no sistema financeiro – 21,21%
• Produção interrompida – 21,21%
• Dificuldade na logística de transportes – 18,18%

Home office, férias e demissões
A pesquisa do Ciesp ressalta que 96.9% das empresas participantes já tomaram medidas para conter gastos ou reavaliar estratégias. Neste grupo, 15,1% mencionara que elas são parciais.
Em relação as empresas, as três medidas mais aplicadas foram adoção de trabalho domiciliar, férias para parte do quadro e afastamento dos empregados que apresentaram sintomas da enfermidade. Além disso, 21,2% demitiram funcionários, mas números absolutos não foram divulgados.
• Adotou o trabalho domiciliar (home office) – 75,76%
• Férias para parte dos empregados – 42,42%
• Afastou empregados com sintomas – 33,33%
• Recorreu ao uso do banco de horas – 15,15%
• Separou equipes por turnos menores – 30,3%
• Demitiu funcionários – 21,21%
• Férias coletivas para todos os empregados – 6,06%
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Representatividade
As empresas associadas ao Ciesp-Campinas movimentam média de R$ 41,5 bilhões por ano e estão distribuídas pelos municípios paulistas de Amparo, Artur Nogueira, Campinas, Conchal, Estiva Gerbi, Holambra, Hortolândia, Itapira, Jaguariúna, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Paulínia, Pedreira, Santo Antonio de Posse, Serra Negra, Sumaré e Valinhos. Ao todo, 410 são nacionais, enquanto 84 são multinacionais.
Os setores de atuação delas, segundo a entidade, são os de alimentos, bebidas, diversos (itens específicos), elétrico, eletrônico, comunicação, madeira, mecânico, metalúrgico, papel e papelão, prestadores de serviços, produtos de materiais plásticos, produtos minerais não metálicos, químico, têxtil, além de transportes e autopeças. Atualmente, as companhias somam 98,8 mil funcionários. (fonte: G1)