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Paulínia sempre foi a nossa manchete mais importante

 PAULÍNIA  49 ANOS

 No dia 28 de fevereiro Paulínia completa 49 anos vivendo uma indefinição política. Mas nada tira o brilho da população dessa cidade, formada em sua maioria, por pessoas que vieram de outras regiões do país. Uma cidade hospitaleira e próspera, onde tem orgulho de abrigar o maior pólo petroquímico da América Latina.

Paulínia entrou para o cenário nacional por sua importância petroquímica, mas em sua história recente, durante os governos do ex-prefeito Edson Moura, investiu em grandes obras por toda a cidade e virou ícone cultural nacional;

O Theatro Municipal é uma das obras de Moura que faz parte da nova história de Paulínia

Preservando raízes com a história

 

No início do século XIX, a fazenda São Bento tornou-se a primeira concentração
de colonos imigrantes nas terras que depois vieram a ser Paulínia

A realidade de Paulínia transformou-se numa constante dinâmica a favor do desenvolvimento industrial.

Mas, os tantos números de valores altíssimos só fazem parte da realidade recente de Paulínia. Seu contexto histórico remonta às pequenas produções agrícolas que tomaram conta de toda a região no começo do século 19, quando a mão de obra escrava no Brasil foi substituída pela chegada dos imigrantes europeus. Na época, toda a região era considerada periferia de Campinas.

Essas terras, doadas às autoridades, como a família do comendador Francisco de Paula Camargo que instalou em Paulínia a primeira fazenda produtora da cidade, a São Bento; e famílias como as de José Guatemozin Nogueira (fazenda Morro Alto); Francisco da Rocha (São Luís); Domingos de Salles Júnior (Fortaleza), e Heitor Penteado e irmãos (São Francisco); foram responsáveis também pela instalação das primeiras colônias, principalmente de italianos, que no Brasil vieram buscar abrigo e terras para produzir.

As características excessivamente agrícolas na década de 40 não permitiram que Paulínia fosse declarada cidade ao mesmo tempo em que cidades como Cosmópolis e Artur Nogueira receberam este título do governo do Estado

Produção agrícola

Junto com a colonização, a inauguração da Cia Carril Agrícola Funilense nos anos de 1880, fomentou a produção agrícola e o escoamento de sua produção para as capitais, mantendo por mais de meio século a mesma prática. Até que em meados da década de 40, ao mesmo tempo em que distritos campineiros como Cosmópolis e Artur Nogueira conseguiram sua emancipação como município, os moradores de Paulínia organizaram o movimento em prol de sua independência político-administrativa.

Incentivados pelo servidor aposentado da Assembléia Legislativa do Estado, José Lozano Araújo, a comunidade da época passou cerca de 20 anos lutando com o governo de São Paulo para conquistar a emancipação, oficializada, finalmente, em 28 de fevereiro de 1964. Na época, a pequena vila recebeu o nome de Paulínia por homenagem à família de José Paulino Nogueira, comerciante campineiro de forte influência na política estadual e federal e que além de terras na cidade, também deu nome à principal estação da linha férrea que cortava a região.

 

Paulínia, uma das principais economias do Brasil, mantém em seu povo, os registros de sua história

A industrialização gerou recursos milionários, mudou cenários e realidades, mas a memória de muitos continua guardando o que existe de melhor na história de Paulínia: o valor de sua gente

Com orçamento público anual que ultrapassa a casa do R$ 1 bilhão, Paulínia alcança os 49 anos de sua emancipação político-administrativa com a naturalidade de harmonizar o porte de pequena cidade com a importância de ser uma das principais economias do Brasil. Com cerca de 86 mil habitantes – chegando a quase 100 mil até 2014, de acordo com as estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – Paulínia tem o maior PIB (Produto Interno Bruto) da RMC (Região Metropolitana de Campinas), chegando a mais de R$ 116 mil por habitante anualmente, o que a coloca também na posição de segunda maior riqueza da região.

 

Toda a arrecadação financeira, advinda principalmente dos impostos gerados pela refinaria da Petrobras em Paulínia, a Replan (Refinaria do Planalto), e do pólo petroquímico instalado em seu entorno, deixa a cidade entre as 50 mais ricas do País, contribuindo para que o PIB da RMC chegasse aos R$ 98,4 bilhões em 2010, valor que representa 2,60% do PIB nacional e 7,9% do Estado de São Paulo.

No conjunto das 19 cidades que compõem a RMC junto com Paulínia, cinco estão entre as 100 que mais produzem riquezas no Brasil, sendo Campinas em 11ª posição, Paulínia em 45ª, Sumaré em 64ª, Americana em 72ª, Indaiatuba em 90ª e Jaguariúna em 95ª. Mantendo estes índices, a RMC cresceu mais que a média nacional em 2010. Foram 6,2% se comparado ao crescimento nacional, registrado em 5,4%.

Mesmo não pagando impostos nos primeiros 20 anos de sua instalação, a chegada da Refinaria da Petrobras transformou a realidade da pequena vila de seis mil habitantes

Ranking

Em 2º lugar no ranking da RMC, Paulínia colabora para que a arrecadação das outras quatro principais cidades: Campinas, Sumaré, Americana, Indaiatuba e Jaguariúna, e ainda as outras 14 que fazem parte da RMC [Santa Bárbara D’Oeste, Nova Odessa, Hortolândia, Monte Mor, Valinhos, Vinhedo, Cosmópolis, Artur Nogueira, Holambra, Engenheiro Coelho, Santo Antonio de Posse, Itatiba e Pedreira], superem a produção de riquezas geradas em 19 Estados brasileiros juntos: Goiás, Pernambuco, Espírito Santo, Ceará, Pará, Mato Grosso, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Rondônia, Piauí, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima.

 

 

 

 

 

Paulínia, de vila a município

Avenida José Paulino registra o desenvolvimento da cidade ao seu redor

Através de José Lozano, a cidade viu sua oportunidade de desenvolvimento com a chegada da Replan: decisões que até hoje influenciam na vida de todos os paulinenses

São 49 anos de desenvolvimento constante. Assim é Paulínia, uma das cidades de maior arrecadação do país e onde está instalado o maior pólo petroquímico da América Latina. Mas nem sempre foi assim: até1964 acidade era Distrito de Campinas.

Nesta data tão especial para os cidadãos paulinenses, vale a pena lebrarmos de nossas origens e para isso, quem nos conta a história são os registros, livros e arquivos de famílias tradicionais da cidade.

De acordo com os registros, pode-se dizer que, em1942, avinda da primeira grande indústria, a Rhodia Indústrias Químicas e Têxteis, para a então Vila José Paulino Nogueira, foi o primeiro grande marco do desenvolvimento. As terras dessa região começaram a ficar populares e muitos imigrantes vieram para cá.

Dois anos mais tarde, em 30 de novembro de 1944, através do Decreto14.334, aVila José Paulino Nogueira tornou-se Distrito de Campinas, passando então a se chamar Paulínia.

A história da cidade retrata que o processo para que Paulínia se tornasse um município não foi fácil. Foi através de José Lozano Araújo, um ex-funcionário aposentado da Assembléia Legislativa do Estado, que veio morar aqui em 1956, que os moradores locais começaram a se manifestar sobre o assunto.

No mesmo ano de sua vinda, o ex-legislador fundou a Associação ‘Amigos de Paulínia’, entidade que, através de seus integrantes Hélio José Malavazzi, Geraldo Ballone, Adelelmo Piva Júnior e Fausto Pietrobom, faziam visitas casa-a-casa, explicando a importância de transformar Paulínia em município, mas encontraram alguns empecilhos: os agricultores que moravam aqui ficaram com medo das mudanças que a emancipação poderia trazer, como aumento de impostos, por exemplo.

Após a luta de 20 anos, José Lozano conquista a emancipação de Paulínia ao lado da primeira composição da Câmara Municipal, presidida por Hélio Malavazzi

Mas ele não desistiu. Apoiado pelo grupo que tinha formado, ele insistiu e, através de seus contatos como ex-legislador, conseguiu o apoio da então deputada Estadual, Conceição da Costa Neves e passou a fazer reuniões frequentes em defesa da emancipação.

Em 6 de novembro de 1963, Paulínia já respirava os ares de cidade. Nesta data foi realizado o primeiro plebiscito para discutir sobre a causa, o que proporcionou uma autonomia política para o Distrito de Paulínia. Naquela época, Paulínia tinha 5.627 habitantes e 80% deles moravam na zona rural. Apenas mil pessoas compareceram na votação e, destes, 94% votou a favor da emancipação.

Mas foi só em 28 de fevereiro de 1964, coincidentemente data de aniversário de José Lozano, que o Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou a Lei 8092, que criava o município de Paulínia.

Sendo município, Paulínia precisava de governantes. Então, em 7 de março de 1965, aconteceram as primeiras eleições, tendo José Lozano como candidato único a prefeito e seu vice, Luis Vansan.

Um ano mais tarde e à frente da prefeitura de Paulínia, Lozano teve conhecimento, através do Governo Federal, de que a Petrobrás iria construir uma refinaria de petróleo em uma cidade do interior do Estado e não foram poucas as cidades interessadas. Paulínia, Bauru, Sorocaba, São José dos Campos e muitas outras, fizeram projetos da instalação e entregaram ao Governo.

Dentre as cidades que demonstraram interesse, Paulínia levava vantagem. A área topográfica, os rios, a proximidade com Campinas e com a Capital facilitaram na hora da escolha. Na época, o então prefeito Lozano já sabia que Paulínia tinha sido escolhida. Através de seus contatos do Governo Federal, ele ficou sabendo da escolha antes de ser anunciado oficialmente, mas havia recebido ordens expressas da diretoria da Petrobrás para que guardasse segredo.

Com a informação privilegiada e sem quem ninguém entendesse seus atos, Lozano começou a investirem infra-estrutura. Construiua Avenida José Lozano de Araújo, que dá acesso à Rodovia Anhanguera e também a Estrada da Rhodia (Rodovia Roberto Moreira), tudo para facilitar o acesso à cidade, além de comprar375 hectaresde terra da Rhodia para doar à Petrobrás.

Festa do grupo na praça do coreto

No dia 9 de fevereiro de 1968, finalmente foi revelada a escolha: o general Arthur Duarte Candal Fonseca anunciou pelo rádio que seria em Paulínia a construção da Replan (Refinaria do Planalto), da Petrobrás.

As obras da construção da Replan foram iniciadas em 28 de fevereiro de 1969, nos últimos dias de mandato do prefeito José Lozano, e em 12 de maio de 1972 ela foi finalmente inaugurada. Foi nesta época em que a cidade ganhou destaque e começou a atrair mais habitantes.
A cerimônia de inauguração da Repan contou com a presença do então presidente da República, o general Emílio Garrastazu Médice, dois dos futuros presidentes do país, Ernesto Geisel, na época presidente da Petrobrás e João Baptista Figueiredo, que na época, era o chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, além de autoridades municipais da época.
A partir da Replan, a realidade de Paulínia transformou-se numa constante dinâmica a favor do desenvolvimento industrial. Os dados dos institutos de pesquisas confirmam ainda que a partir da implantação da Refinaria da Petrobras em Paulínia, a cidade manteve um ritmo acelerado de crescimento, média de três vezes maior se comparada com as demais cidades de seu porte, o que transformou sua área no maior polo petroquímico da América Latina.

Atualmente, a cidade tem 31 das 500 maiores empresas do mundo em sua região, sendo que as 2,5 mil indústrias instaladas ao redor de seu polo correspondem a 25% da produção química do Estado de São Paulo; 23% da produção de minerais não-metálicos; 19% da produção de mecânica de equipamentos; 27% da produção de couro, papel e papelão; 21% da produção têxtil e 17% da produção agroindustrial.