Decisão de hibernação da unidade reflete estratégia nacional diante de baixa rentabilidade do segmento
A Klabin, maior produtora de papéis para embalagens do Brasil, anunciou a hibernação temporária de sua unidade dedicada à produção de papel reciclado em Paulínia (SP). A medida, adotada no dia 21 de julho, está relacionada a fatores mercadológicos e não à performance da unidade ou da cidade.
Com capacidade instalada de 65 mil toneladas anuais, a planta havia sido incorporada em 2020, com a aquisição de ativos da International Paper. Segundo a empresa, a decisão não compromete o fornecimento de produtos, que seguirá sendo atendido por outras unidades operacionais.
A medida está alinhada à estratégia da companhia de priorizar ativos com maior escala e integração, especialmente diante do atual cenário desfavorável para o mercado de papel reciclado. Entre os fatores estão a elevação nos custos das aparas (matéria-prima da reciclagem), a queda nos preços de venda e a crescente competitividade do kraftliner — papel produzido com fibras virgens.
Reorganização sem impacto local direto
A Klabin reforça que a decisão faz parte de um ajuste estrutural para preservar a eficiência e competitividade da operação nacional. Unidades em Piracicaba (SP) e Goiana (PE), por exemplo, seguem com produção ativa e somam capacidade superior a 400 mil toneladas ao ano.
Com 24 unidades industriais — 23 no Brasil e uma na Argentina — a companhia mantém sua posição de liderança no mercado de papéis para embalagens, com foco em kraftliner, fluting e papel-cartão.
Investimentos e futuro do setor
Em 2023, a empresa investiu R$ 1,6 bilhão em uma nova planta de papéis ondulados em Piracicaba, ampliando sua participação no mercado nacional de caixas de papelão para cerca de 24%. A Klabin segue apostando em ativos de maior eficiência e sustentabilidade, de olho na substituição de embalagens plásticas e no fortalecimento de sua presença global.







