O acordo entre as duas companhias elevou o limite da linha de crédito de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões
As ações da Braskem ganharam força na bolsa de valores nesta quinta-feira (27/08), depois que a Petrobras ampliou o limite de crédito disponível para a petroquímica. O movimento ocorre em um momento delicado para a companhia, que entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar suas obrigações financeiras.
Por volta das 13h50, os papéis ordinários da Braskem avançavam 14,5%, a R$ 3,55, na máxima do dia. A reação ajuda a recuperar parte das perdas recentes: na sessão anterior, as ações caíram 11,4%, para R$ 3,10, menor valor histórico, após a exclusão da companhia de índices da bolsa de valores.
O acordo entre as duas companhias elevou o limite da linha de crédito de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões. O recurso será destinado à compra de matérias-primas fornecidas pela Petrobras à Braskem.
O contrato tem validade até o fim de 2026 e prevê prazo de até 30 dias para o pagamento das matérias-primas. A operação também estabelece mecanismos de garantia para reduzir o risco de inadimplência.
Entre as garantias está a cessão fiduciária de recebíveis de clientes da Braskem, em um fluxo estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão por mês. Os valores serão direcionados a uma conta vinculada, que deverá manter retenção mínima de R$ 300 milhões.
O crédito, porém, não passa a valer automaticamente. O acordo prevê a constituição das contas vinculadas e a existência de saldo mínimo de R$ 150 milhões. A Petrobras também poderá suspender o limite caso a Braskem não cumpra o fluxo mínimo mensal de recebíveis estabelecido no contrato.
A ampliação do crédito ocorre poucos dias depois de a Braskem protocolar na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial. A empresa busca reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras quirografárias e criar um ambiente jurídico para avançar nas negociações com os credores.
O novo acordo com a Petrobras não representa, por si só, um aporte de capital na Braskem. Trata-se de uma ampliação de crédito vinculada à compra de matérias-primas, o que pode melhorar as condições de funcionamento da companhia enquanto ela tenta reorganizar suas finanças.
A situação ainda exige cautela. A recuperação extrajudicial depende da negociação com os credores e de medidas capazes de fortalecer a estrutura financeira da petroquímica. A Petrobras, que detém 47% das ações da Braskem, é uma das partes relevantes nesse processo.
A reação desta quinta-feira acontece depois de uma sequência bastante negativa para os papéis da companhia. A Braskem chegou a uma mínima histórica de R$ 3,10 na quarta-feira (26/08), pressionada pela repercussão do pedido de recuperação extrajudicial e pela retirada das ações dos índices da bolsa de valores.
Por isso, a alta registrada hoje deve ser vista mais como uma recuperação parcial das perdas do que como uma reversão definitiva da percepção do mercado sobre a empresa.
A ampliação da linha de crédito oferece um sinal de suporte operacional em um momento de forte pressão sobre o caixa, mas não elimina os desafios financeiros que levaram a Braskem à recuperação extrajudicial.
Para os acionistas da Braskem, os próximos passos da recuperação extrajudicial continuam sendo o principal ponto de atenção. A evolução das negociações com credores, eventuais novos compromissos dos acionistas e a capacidade da companhia de preservar sua operação serão determinantes para o futuro dos papéis BRKM5.
A reação positiva desta quinta-feira mostra que o mercado recebeu o acordo com a Petrobras como uma notícia favorável no curto prazo. Ainda assim, a recuperação sustentável das ações dependerá de uma solução mais ampla para o endividamento da petroquímica.







