De 0 a 6 anos, a criança vive uma das fases mais importantes de sua vida. É nesse período que o cérebro se desenvolve de maneira intensa, os vínculos são construídos, a linguagem ganha espaço, as emoções começam a ser compreendidas e a criança descobre, pouco a pouco, quem é e como se relacionar com o mundo.
No Brasil, o mês de agosto é dedicado à Primeira Infância. A data de 24 de agosto, Dia da Infância, também nos convida a olhar com mais atenção para essa fase que, muitas vezes, passa rápido demais aos olhos dos adultos, mas deixa marcas que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida.
Falar em primeira infância não significa apenas falar de crianças pequenas. Significa falar de família, saúde, educação, assistência social, alimentação, proteção, cultura, lazer e, principalmente, de oportunidades. Uma criança precisa de muito mais do que uma vaga na escola. Precisa de adultos disponíveis, ambientes seguros, estímulos, brincadeiras, afeto e alguém que perceba quando alguma coisa não vai bem.
E é justamente aí que entra o papel de uma cidade.
Uma cidade que olha para a primeira infância pensa em calçadas onde um carrinho de bebê possa circular, praças seguras para brincar, unidades de saúde preparadas para acompanhar o desenvolvimento, creches com qualidade, espaços de cultura e esporte, apoio às famílias e uma rede capaz de identificar e proteger crianças que estejam vivendo alguma situação de vulnerabilidade.
Mas existe também um cuidado que não aparece nas obras e nos equipamentos. É o cuidado de perguntar como está aquela família. De ouvir uma mãe cansada. De orientar um pai. De perceber uma criança que mudou seu comportamento. De garantir que nenhuma situação de violência ou negligência seja ignorada.
Cuidar da primeira infância é compreender que uma cidade também educa. Ela educa quando oferece espaços para brincar, quando protege, quando acolhe e quando permite que uma criança seja simplesmente criança.
Talvez o maior desafio seja justamente este. Não esperar que os problemas apareçam para depois agir. Ter um olhar cuidadoso antes. Investir no começo, fortalecer as famílias e construir uma rede que coloque a criança no centro das decisões.
Porque uma cidade que cuida bem de suas crianças pequenas não está apenas pensando no futuro. Está garantindo que elas tenham o direito de viver bem o presente.
E, no fim das contas, cuidar da primeira infância é uma das formas mais bonitas de cuidar da própria cidade.
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André Luís de Oliveira
Pai da Giulia, Coordenador do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos no Paulínia Racing e Conselheiro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
@profandreoliveira






