Quando falamos em democracia, muitas vezes pensamos em eleições, urnas, partidos e políticos. Pensamos nos grandes acontecimentos que marcam a história de um país. Mas democracia é muito maior do que isso.
Democracia também se aprende na infância.
Uma criança aprende democracia quando percebe que sua opinião pode ser ouvida, mesmo quando não é aceita. Aprende quando entende que outras pessoas podem pensar diferente e que isso não transforma automaticamente o outro em inimigo. Aprende quando participa de uma decisão, quando respeita uma regra construída coletivamente e quando também compreende que regras podem ser questionadas e aperfeiçoadas.
Na adolescência, essa aprendizagem ganha ainda mais importância. É o momento de incentivar o diálogo, a participação e a capacidade de buscar informações antes de formar uma opinião. É também o momento de ensinar que liberdade não significa fazer qualquer coisa, assim como democracia não significa que todos precisam pensar da mesma maneira.
Uma sociedade democrática precisa de pessoas capazes de conviver com as diferenças.
Por isso, ensinar crianças e adolescentes sobre democracia não deveria acontecer somente nas aulas de História ou próximo das eleições. Precisa estar presente na escola, na família, nos espaços de convivência, nos projetos sociais e em todos os lugares onde crianças e adolescentes possam exercer sua cidadania.
E existe algo ainda mais importante. Precisamos ensinar que democracia não é um presente que recebemos e que estará garantido para sempre. Ela precisa ser cuidada, defendida e fortalecida diariamente.
Defender a democracia não significa concordar com tudo o que o outro pensa. Significa reconhecer que todos têm direitos, que as diferenças fazem parte da sociedade e que conflitos precisam ser enfrentados por meio do diálogo, das instituições e das regras construídas coletivamente.
Talvez uma das maiores responsabilidades dos adultos seja justamente essa. Ensinar as novas gerações que participar é importante, que perguntar é importante, que discordar faz parte e que nenhuma sociedade democrática sobrevive quando as pessoas deixam de se importar com ela.
Crianças e adolescentes não são apenas os cidadãos do futuro. Eles já fazem parte da sociedade de hoje.
E se queremos uma democracia forte amanhã, precisamos começar a ensiná-la, praticá-la e defendê-la com eles hoje.
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André Luís de Oliveira
Pai da Giulia, Coordenador do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos no Paulínia Racing, Conselheiro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e Conselheiro suplente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (COMSEA) de Paulínia
@profandreoliveira







