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Gentileza, o desafio do ‘Senhor Motorista’

Uma senhora esperava o fluxo reduzir para atravessar a Avenida José Paulino, no ponto próximo ao balão central. Era meio da tarde. O sol queimava. O fluxo era realmente intenso. O local não é indicado para passagem de pedestre, mas muita gente caminha por ali devido ao ponto de ônibus próximo. A questão é que além dos muitos carros da avenida, o fluxo e a proximidade com o balão atrapalham o pedestre, que precisa decidir sob pressão qual o melhor momento para atravessar durante os dias de semana.

Trânsito de Centro é complicado mesmo, em qualquer cidade, muito embora Paulínia tenha uma estrutura muito elogiada de tráfego. A questão intrigante e inquietante observada nessa situação está no fato de os motoristas serem capazes de parar seu carro para um ou outro entrar ou sair do estacionamento, mas não são capazes de facilitar a passagem do pedestre. É claro que simplesmente parar no meio da rua é inviável, mas reduzir e dar passagem ao pedestre não vai atrasar ninguém em sequer 10 segundos, garanto.

Percebo que muitas pessoas, quando ao volante, esquecem que também são pedestres. Aliás, esta é sua condição do humano, pedestre. Porque quando sai do carro e por felicidade consegue estacionar no estacionamento do dito local, o motorista sente na pele o quanto é complicado viver o outro lado da situação.

Há um desenho animado da Disney, cuja personagem do Pateta é o ‘Senhor Motorista’. E eu sempre me recordo dele quando avisto situações como essas. Como pedestre, ele é um cavalheiro, mas como motorista, um verdadeiro carrasco descontrolado! Mas, como diz o narrador da animação, o carro nas mãos do homem moderno se perde com a sensação de poder e aí, fica cada vez mais complicado exercer o direito primordial do homem, como pedestre que é, de ir e vir. E tudo isso por falta de gentileza!

O episódio do ‘Senhor Motorista’, que me fez rir e pensar enquanto criança ainda está disponível e você pode vê-lo em http://www.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0.

Michele Carneiro é repórter há dez anos. Está em Paulínia desde 2003, onde atua em todos os setores de redação e diagramação. Defensora do diploma para a prática do Jornalismo, está no terceiro período do curso.

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