Início Paulínia Greve fracassada confirma perda de representatividade do Sindicato em Paulínia

Greve fracassada confirma perda de representatividade do Sindicato em Paulínia

Movimento não mobilizou a categoria e reforçou o enfraquecimento da atual diretoria sindical
A greve convocada para esta terça-feira (11) pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Paulínia registrou baixa adesão e ampliou a percepção de enfraquecimento da atual diretoria.

O ato reuniu cerca de 100 participantes em frente à Igreja São Bento, número considerado reduzido diante dos milhares de servidores da cidade.

Embora tenha sido articulada por representantes ligados aos partidos PCdoB e PT, a mobilização não atraiu apoio popular nem conseguiu tampouco contar com a presença de vereadores, fato apontado como mais um indicativo do distanciamento político do movimento.

A participação majoritária foi de profissionais da Educação, gerando apenas impactos pontuais em algumas escolas, onde turmas foram reorganizadas ou assumidas por substitutos.

Enquanto isso, a Prefeitura registrou mais de 200 contribuições formais na Consulta Pública sobre o Sistema de Avaliação e Progressão por Méritos dos Professores de Lei 665 (Magistério) e 66 (Quadro Geral).

A administração afirma que processos de avaliação e progressão planejados pelas secretarias resultaram em transparência, valorização e estímulo à capacitação dos servidores, o que tem fortalecido a estratégia de conformidade com a gestão pública.

:: ELEIÇÕES SEM CONCORRÊNCIA E CRÍTICAS INTERNAS AMPLIAM DESGASTE

A baixa adesão à paralisação expôs ainda mais tensões internas do Sindicato. O processo eleitoral foi realizado com chapa única, o que, segundo criticam servidores, favoreceu a continuidade de práticas antigas, sem avanços na gestão sindical. Outro fator apontado é a falta de participação democrática.

“Quando o servidor perde o direito de escolher, o sindicato perde o direito de representar”, afirmou Roger de Souza, presidente da Associação Municipal dos Servidores Independentes de Paulínia (AMSIP).

O distanciamento da entidade em relação à base é intensificado no período pós-eleitoral, marcado por bônus e retiros, comunicados vagos e pouca clareza em temas relevantes como a revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV).

:: PARALISAÇÃO EVIDENCIA PERDA DE FORÇA DA ENTIDADE

O fracasso na mobilização desta semana reforçou o enfraquecimento da atuação sindical e o distanciamento com os servidores. A mobilização acabou sendo marcada por discursos com tom de confronto e ataques a figuras político-partidárias. Portais locais registraram baixo comparecimento e, nas redes sociais, a mobilização foi alvo de críticas.

“Quando poucos tentam falar por todos, o resultado é o silêncio da maioria”, avaliou Roger.

Segundo ele, a categoria exige hoje mais diálogo, clareza e responsabilidade, e não ações isoladas ou mobilizações esvaziadas.

:: DESAFIOS PARA RECUPERAR CREDIBILIDADE

A crise enfrentada pelo sindicato reflete um cenário mais amplo: a necessidade de uma representatividade legítima, com participação efetiva, transparência e responsabilidade fiscal.

Roger reforça que reivindicações legítimas não podem ser capturadas por interesses externos. “O servidor não pode ser massa de manobra. O diálogo simples e institucional é o caminho para defender direitos sem manipulações.”

Ele concluiu que a reconstrução passa por resultados, abertura e reconexão com a base, elementos essenciais para que o sindicato recupere relevância.

“Se o servidor quer ser ouvido, não é criando ruído, e sim diálogo. Quem quer resultados, não discursa. Sem isso, qualquer mobilização continuará falando para o vento.”