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OPINIÃO | Em entrevista, presidente da AMSIP diz que paralisação esvaziada revela crise de representatividade sindical em Paulínia

Por Roger de Souza, presidente da Associação Municipal dos Servidores Independentes de Paulínia (AMSIP)A greve realizada nesta terça-feira, 11 de novembro, não deixou dúvidas: o Sindicato dos Servidores Municipais perdeu a conexão com a base. Não falo isso com satisfação, mas com a seriedade de quem acompanha há anos o movimento sindical na cidade e entende que representatividade não se sustenta em discursos vazios, nem em mobilizações articuladas por interesses partidários.

Reunir cerca de 100 pessoas em um município com milhares de servidores não é mobilização, é alerta. Alerta de que o caminho escolhido pela atual diretoria do sindicato não dialoga com a realidade dos profissionais que deveriam ser representados. Quando o ato depende de articulações partidárias, neste caso de representantes ligados ao PCdoB e ao PT, e mesmo assim não consegue mobilizar a categoria, o problema deixa de ser circunstancial e se torna estrutural.

O servidor de Paulínia amadureceu. Ele entende o impacto fiscal de suas reivindicações, a complexidade do PCCV, a importância de políticas públicas sustentáveis. Ele não quer ser massa de manobra, não quer servir a projetos eleitorais, não quer entrar em greves improvisadas, convocadas sem debate transparente e sem estratégia.

O que vimos na paralisação foi mais um capítulo do desgaste acumulado: eleições sindicais sem concorrência, falta de diálogo com o poder público, ausência de prestação de contas e um distanciamento crescente entre o discurso da diretoria e as demandas reais da categoria. O sindicato fala sozinho porque insiste em ignorar quem deveria ouvir.

Defender direitos exige firmeza, mas também exige maturidade. Não se constrói avanço com gritos isolados, nem se conquista respeito com atos simbólicos que não representam a maioria. Negociar não é submissão, é responsabilidade. Escutar não é fraqueza, é liderança. E entender a realidade fiscal do município não é traição ao servidor, é compromisso com o futuro da cidade.

Alguns preferem alimentar o conflito. Eu prefiro construir pontes. O servidor merece transparência, debate e representatividade verdadeira. Merece ser ouvido de verdade, não apenas convocado quando interessa. Merece participação, não imposição. Merece um sindicato que o represente, não que fale em seu nome enquanto a base permanece silenciosa.

A greve mostrou o que muitos já sabiam, mas poucos diziam: a categoria não avaliza mais esse tipo de mobilização. O silêncio da maioria foi mais eloquente do que qualquer discurso inflamado. O servidor quer resultados, não retórica. Quer equilíbrio, não radicalização. Quer clareza, não manipulação.

Quem não compreender essa mudança vai continuar falando para o vento. Paulínia mudou, o servidor mudou, e o sindicalismo também precisa mudar. Representação não se impõe, se conquista. E está cada vez mais claro que esse é o desafio que se impõe daqui para frente.

 

As opiniões desta coluna são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a posição deste jornal.