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Polícia pede prisão de assassino de comerciante do São José

Vítima foi candidato a vereador na última eleição; autor do crime foi seu assessor e foi reclamar dívida de campanha
A Polícia Civil de Paulínia encaminhou à Justiça o pedido de prisão temporária do homem acusado de executar, com ao menos três tiros, o comerciante Ronildo dos Santos Lima, 34 anos, no São José I, no último final de semana.
“A melhor resposta que podemos dar à família e à sociedade será a prisão do autor do homicídio”, disse ontem à reportagem do Correio Popular o delegado José Ricardo Arruda Marchetti, titular da Delegacia de Paulínia. Ele disse que o acusado permanece foragido e teria deixado a cidade acompanhado pela mulher e filha. Os trabalhos para a completa elucidação do crime seguem com o delegado de investigações José Sampaio de Assis.
A Polícia de Paulínia informou que o homem que disparou ao menos três tiros contra o comerciante e ex-candidato a vereador Ronildo, matando-o na frente da esposa, na calçada de sua padaria, é acusado de outros dois assassinatos. Não foi informado onde e quando aconteceram esses dois homicídios.
O comerciante foi enterrado no domingo (24), em clima de muita comoção, tensão e medo. As pessoas preferiam o silêncio e ainda tentam entender o que aconteceu, já que Ronilson e o homem que se tornou seu assassino trabalharam juntos por alguns meses durante a campanha eleitoral municipal do ano passado. Não foi a política em si, mas uma suposta dívida entre acusado e vítima que teria motivado o assassinato. A Polícia soube da dívida por meio da viúva do comerciante e busca alguma documentação sobre como foi a negociação entre os dois homens.
A informação é que, ao contratar o suspeito para trabalhar em sua campanha, Ronilson assumiu o compromisso de pagar o aluguel de uma casa que ele administrava e cedeu para que o assessor morasse. O comerciante e candidato teria acertado os aluguéis enquanto o suspeito, que se tornaria seu assassino, trabalhasse para ele. Perdida a eleição, o comerciante teria cortado o pagamento de aluguel, já que havia acabado o compromisso de trabalho entre os dois.
O homem não concordou e insistia que o comerciante ainda lhe devia.
“A mulher da vítima estava a poucos metros do local do crime. Ela disse que houve uma discussão breve e, quando o comerciante se afastou dizendo que já estava tudo acertado, o acusado passou a atirar”, disse um dos policiais.
Ronilson morreu em frente de sua padaria, nos braços da mulher, que trabalhava como caixa e tentou socorrê-lo. O atirador deixou o local correndo, teria ido para a casa onde morou de aluguel e depois teria partido em um carro escuro acompanhado pela família.
A Polícia de Paulínia aguarda a decisão judicial em relação ao pedido de prisão temporária e também a conclusão de laudos de responsabilidade de peritos da Polícia Técnica. A arma do crime ainda não foi encontrada e não há dúvidas quanto à autoria do assassinato, restando saber a real motivação, que pode determinar se o comerciante foi morto por motivo fútil. Ontem, a padaria da vítima permanecia fechada com um cartaz escrito luto na porta. Quase todas as casas vizinhas fechadas e moradores sem querer falar sobre o caso acentuavam o clima de medo na região.
Com pouco mais de 116 mil habitantes, Paulínia registrou nestes 21 dias de janeiro três casos de assassinatos, sendo que um deles, no inicio do ano, foi feminicídio. Segundo a Polícia, os três crimes tiveram seus autores identificados, sendo que dois deles aguardam decisão da Justiça em relação a expedição de mandados de prisão para os acusados pelos crimes.
(fonte: Correio Popular)