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Prefeitura nega troca de cadeira de rodas

Mulher recebeu equipamento infantil e não consegue usar nem trocar

Andréia mostra a cadeira que ganhou: “Não consigo usar, é pequena demais”.

A ambulante Andréia Luiza Croda vive um drama que se arrasta por longos meses. Há quase um ano ela recebeu a doação de uma cadeira de rodas da Prefeitura Municipal de Paulínia através da Secretaria de Promoção Social, porém, a cadeira é juvenil e não é adaptada para sua necessidade. Segundo Andréia, ela tentou fazer a troca por diversas vezes, mas na Secretaria lhe informaram que não seria possível.

A história de vida dessa paulinense de 40 anos não é um conto de fadas. A ambulante nasceu em Paulínia, morou em outras cidades, e voltou para o município, onde mora há 15 anos. Com um ano de idade, sofreu uma paralisia infantil e passou a usar aparelho ortopédico. Tempos depois, sofreu uma queda e então, após uma cirurgia, passou a utilizar cadeira de rodas por possuir a perna direita imobilizada.

Pagando R$ 300,00 no aluguel de uma casa de humilde de fundo no bairro Monte Alegre, Andréia sobrevive da venda de diversos produtos na rua e agora foi contemplada com o Programa Renda Família.

“Para eu conseguir essa cadeira, fiquei um ano esperando. Fiz os orçamentos que eles pediram, uns até com foto, mostrando como era a cadeira, e nada, então tive que entrar na Justiça e quando ganhei a causa, veio essa. Em fevereiro vai fazer um ano que está parada porque eu não consigo usar. A que uso hoje é emprestada do Sr. João”, diz.

De acordo com ela, a cadeira doada é juvenil, possui rodas pequenas, pneu inflável, é indicada para pessoas abaixo de 70kg, além de possuir a largura entre as braçadeiras muito estreita. “Eu sentei para provar que eu não caibo nela. É cadeira para criança, eu peso mais de 80kg, mas eles não entendem. Me perguntaram se uma cadeira de R$ 1.300,00 não bastava para mim. Eu expliquei que não é o valor, é a necessidade, mas não adianta! A moça disse que todas as cadeiras que eles tinham que comprar já tinham sido compradas e que não iriam comprar mais nada”, lamenta a ambulante.

Sem alternativa, Andréia conta que chegou a entrar em contato com diversos fornecedores e fabricantes de cadeiras de rodas para tentar efetuar a troca por conta própria, mas também não obteve sucesso.

Segundo ela, a cadeira adequada seria o modelo que possui as rodas grandes na frente e as pequenas na parte de trás e que suporte o peso acima de 80kg.

Protocolo

Outra dificuldade da cadeirante é a hora do banho. Ela não possui cadeira de banho adaptada para sua necessidade, então a mesma cadeira que utiliza para se locomover, ela usa também no banho. “É complicado, a cadeira nem é minha, eu tento proteger com esse plástico, mas olha a situação. A cadeira vai estragando. Quando tem sol, minha filha coloca lá fora, mas nesses dias de chuva ta difícil mesmo”.

A cadeira que Andréia recebeu não tem utilidade para ela; Prefeitura não quer trocar

Com o comprovante em mãos, ela conta que protocolou na Prefeitura no dia 16 de agosto do ano passado um pedido para adquirir também uma cadeira de banho com as mesmas características da de locomoção que custa, em média, R$ 500,00. “É mais um ano esperando a não ser que eu entre na Justiça. Pra tudo precisa entrar na Justiça”.

Fraldas

O drama da cadeirante não para por ai. Sua filha de seis anos passa por problemas de incontinência urinária e precisa usar fraldas. Novamente através da Justiça, ela conseguiu o produto por seis meses, mas foi só por esse período. “Tentei pedir mais, mas eles já me falaram que não tem, que o prefeito não faz licitação para comprar mais e não tem nem previsão se vai chegar ou não. Não sei o que está acontecendo com essa cidade. Quem realmente precisa não é atendido. Sou nascida aqui e não tenho uma casa para morar, pago aluguel e dependo de doação. Isso tem que mudar, isso precisa mudar”, emociona-se Andréia.