Início Meio Ambiente Racionamento atinge 355 mil pessoas

Racionamento atinge 355 mil pessoas

Nas cidades onde há racionamento, as multas por mau uso da água pode chegar à R$ 336,00 e o dobro desse valor em casos de reincidência
Nas cidades onde há racionamento, as multas por mau uso da água pode chegar à R$ 336,00 e o dobro desse valor em casos de reincidência

Seis cidades da Bacia PCJ adotam esquema especial para reduzir efeitos da estiagem prolongada

Seis cidades da região da Bacia Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) já adotaram racionamento de água ou rodízio entre bairros durante a crise hídrica, como forma de economizar o recurso. No total, 355 mil habitantes que são abastecidos pela bacia já sentiram reflexos do longo período de estiagem. As cidades são Cosmópolis, Valinhos, Vinhedo, Cordeirópolis, Nova Odessa e Rio das Pedras.
A população tem que “apertar o cinto” durante o período de agonia dos rios que abastecem a bacia. As medidas adotadas vão de cortes diários de quatro horas ou mais, até a dois dias por semana sem água, em forma de rodízio. Há ainda um município que suspendeu o abastecimento de água durante todo o dia, liberando o recurso somente após as 18h.

Cidades abastecidas
No total, são 43 municípios abastecidos diretamente pela bacia. Os dados são da Agência Reguladora PCJ, que recebe oficialmente as informações das prefeituras de cada cidade. Levantamento do órgão mostra ainda que algumas cidades também adotaram multas para quem é pego em flagrante desperdiçando água. São elas: Artur Nogueira, Campinas, São Pedro, Vinhedo, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Louveira e Valinhos.
A resolução da agência indica as condições mínimas para aplicação de racionamento. O órgão interfere na organização específica, como os períodos em que determinado bairro fica sem água, por exemplo, e como informar a população a respeito dos períodos com ou sem água em cada local.

 Racionamento na região: cidades optam por revezamento

Em Cosmópolis, os cortes são diários, das 22h às 7h, devido à baixa vazão dos rios. O racionamento começou em fevereiro e é feito de modo intercalado, diariamente em duas áreas. Em Rio das Pedras, outra cidade que adotou o racionamento, a medida é severa: os moradores ficam sem água durante todo o dia. Somente à noite, a partir das 18h, a água volta. O recurso fica das 6h às 18h suspenso na cidade de 31 mil habitantes. Em Vinhedo, a situação também tem ocorrido com cortes diários, de quatro horas ou mais.
Nova Odessa ampliou em julho para 13 horas o período de racionamento de água no município. Agora, todos os reservatórios da cidade fecharão das 21h às 10h. Desde o dia 7 do mês anterior, o fechamento já acontecia entre 21h e 5h. Em Valinhos, onde a medida ocorre desde o início do ano, são duas paralisações no abastecimento de água por semana. São quatro áreas de racionamento na cidade, que fica sem água por 18 horas, duas vezes por semana, sempre a partir das 10h (com previsão de retorno do abastecimento às 4h do dia seguinte). A população, de quase 117 mil habitantes, tem que adaptar a rotina para os dias sem água.

Multa
A cidade também implantou medidas que incluem penalização com multa de R$ 336,00 — dobrando no caso de reincidência — às pessoas flagradas pelos fiscais molhando jardins e quintais, lavando calçadas (residenciais e comerciais) e lavando veículos em residência. Campinas — que não tem racionamento, oficialmente — adotou a penalização, mas não houve multas expedidas até agosto.
A comerciante Teresinha Carvalho Fachinni, de 56 anos, tem alterado a rotina da casa para se adaptar à quantidade de água que recebe. Moradora de Valinhos, ela fica duas vezes por semana sem o recurso essencial, no bairro Vila Santana. “Já economizava antes, porque a gente sabe que um dia pode acabar, né? Mas, agora, tem sido mais. E a conta veio mais barata: caiu de R$ 48 para R$ 20, que é só a taxa de água e esgoto”, contou.
Teresinha, que mora com a família, totalizando quatro pessoas, tem economizado de todas as formas. Ela guarda a água utilizada da máquina de lavar-roupa para limpar as áreas externas da casa e comprou diversas bacias para lavar a louça, evitando manter a torneira aberta quando passa sabão e água nos pratos, copos e talheres.