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Trabalhadores da Shell comemoram indenização

Ex-trabalhadores durante manifestação em 2012: hoje eles celebraram a vitória, mas não esqueceram de contar os mortos

Ex-colaboradores que morreram antes de receber os recursos são lembrados

A expectativa dos ex-trabalhadores das empresas Shell (atual Raízen Combustíveis SA) e Basf era notória durante a reunião realizada na quinta-feira (11), na sede do Sindicato dos Químicos Unificados, em Campinas. Aproximadamente 300 pessoas ouviam atentamente às orientações dos dirigentes sindicais, que utilizaram as costumeiras reuniões semanais para, desta vez, comemorar e orientar a todos sobre os próximos trâmites em relação ao pagamento das indenizações e o atendimento médico vitalício a mais de mil ex-trabalhadores, diretos e terceirizados, e seus dependentes, acordado pelas empresas no TST (Tribunal Superior do Trabalho).

Visivelmente emocionado durante a reunião, Valter José de Freitas, 72, apesar de feliz pela vitória, ocorrida após 18 anos de luta na Justiça, estava mesmo era com o pensamento em seu irmão, Darci, 53, que há três anos faleceu vítima de um câncer. “É uma vitória dupla. Por ele e por mim, mas infelizmente ele não conseguiu chegar vivo para testemunhar esse momento”, lamentou Valter, reafirmando que não há preço que devolva a vida do parente.
Ambos trabalharam na Shell, mas em setores distintos. O irmão na formulação, em contato direto com o “veneno”, e Valter no armazém. Ele saiu em 1992, e Darci alguns anos depois. Seu irmão inalou – assim como centenas de colegas – agrotóxicos chamados “drins” (aldrin, dieldrin e endrin), considerados os POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) mais tóxicos do mundo.
“Poucos anos após sair da fábrica, ele começou a sentir uma dor na coluna, que de repente se transformou em um câncer e tomou os pulmões. Não conseguiu mais andar e não resistiu”, lembra Valter, que não apresenta nenhum problema de saúde.

Mortes
A morte mais recente de um ex-trabalhador foi a de André Luis Diogo, 49, ocorrida na semana passada por problemas no fígado relacionados à contaminação. Conforme relatou Glória Nozella, dirigente da Secretaria de Saúde do Sindicato, Diogo participava das reuniões no sindicato, mas seu quadro se agravou na última semana. “Estamos em contato com a família orientando sobre os procedimentos da indenização”, disse.
Há oito anos lidando com a saúde dos ex-trabalhadores, Glória participou de todas as audiências do caso. “Ao longo desses anos, também fomos recendo notícias tristes sobre a morte de nossos colegas. Isso nos entristecia pelo fato de não chegarem vivos na vitória”, emociona-se.
A Atesq (Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas) apurou que, desde 2007, com o início do processo na Justiça, cerca de 60 ex-trabalhadores já faleceram e tinham, em média, 55 anos de idade. Ao menos 20 óbitos foram registrados em decorrência de algum tipo de câncer. (Todo Dia)