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Agosto tem muitas cores e a infância precisa de todas elas.

Nos últimos anos, aprendemos a reconhecer os chamados “meses coloridos”. Cada cor nos lembra de uma causa, uma luta, uma doença, uma campanha ou um direito. Agosto, por exemplo, veste o lilás para falar sobre o enfrentamento da violência contra a mulher. E, ao mesmo tempo, também ganhou o verde para lembrar de algo que começa muito antes da vida adulta: a importância da primeira infância.

Desde 2023, agosto é oficialmente o Mês da Primeira Infância no Brasil. A iniciativa chama a atenção para os primeiros seis anos de vida e para a necessidade de cuidar não apenas da criança, mas também de suas famílias.

Talvez a primeira infância seja justamente a fase em que mais precisamos entender que cuidar é muito mais do que alimentar, vacinar e levar à escola. É brincar. É conversar. É colocar no colo. É estabelecer limites sem violência. É ouvir uma criança mesmo quando aquilo que ela diz parece pequeno para um adulto.

É nessa fase que começam a ser construídas relações, confiança, linguagem, autonomia e maneiras de compreender o mundo. As experiências vividas nos primeiros anos não determinam sozinhas quem seremos, mas têm enorme importância para o desenvolvimento. Por isso, violência, negligência, insegurança alimentar, falta de estímulos e ausência de vínculos podem deixar marcas importantes. Da mesma forma, afeto, proteção, alimentação adequada, brincadeira, segurança e relações saudáveis podem abrir caminhos para que uma criança desenvolva todo o seu potencial.

E talvez seja esse o sentido mais bonito dos meses coloridos. Eles nos obrigam a parar por alguns minutos e olhar para aquilo que, na correria, podemos deixar de perceber.

Mas nenhuma causa deveria caber em apenas um mês.

A menina que protegemos no Agosto Lilás continua precisando de proteção em setembro. A criança pequena que lembramos no Agosto Verde continua precisando de cuidado em todos os outros meses. A criança que hoje aprende a confiar nos adultos será o adolescente e o adulto que amanhã levará para a vida as experiências que construiu na infância.

Por isso, talvez a melhor maneira de celebrar a primeira infância seja menos falar sobre ela e mais olhar para as crianças que estão ao nosso lado.

Perguntar se estão bem. Brincar um pouco mais. Ouvir suas histórias. Respeitar seus sentimentos. Garantir que tenham comida, cuidado, segurança e alguém em quem possam confiar.

Agosto pode até ter muitas cores. Mas quando falamos de infância, precisamos de todas elas.

Porque criança não precisa de um mês para ser lembrada. Precisa de uma sociedade inteira disposta a cuidar dela todos os dias.

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André Luís de Oliveira

Pai da Giulia, Coordenador do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos no Paulínia Racing e Conselheiro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
@profandreoliveira