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A dualidade tão necessária da Páscoa

Sami Goldstein

Conta a anedota que um judeu, um cristão e um ateu discutiam sobre quem tem a razão sobre o real significado da Páscoa. O ateu perguntou ao judeu “o que é a Páscoa para você?”. Prontamente respondeu: “é a libertação do povo hebreu do cativeiro egípcio. Moisés, a mando de Deus, enfrentou o faraó e conduziu nossos antepassados rumo à liberdade.” Perguntou ao cristão “e para você, o que é a Páscoa?”. Ele também respondeu imediatamente: “é a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, depois da crucificação. Simboliza a vitória da vida sobre a morte.” O ateu ficou confuso: “como pode ser isso? De onde tiraram essas ideias?” O judeu disse: “da Torá, o Velho Testamento.” O cristão afirmou: “do Novo Testamento, oras.” Ainda mais confuso, o ateu ficou em silêncio, ao que os outros dois lhe perguntaram: “e para você, o que é a Páscoa?”. Também de forma rápida, respondeu: “se para vocês dois for feriado, então para mim ambos têm razão!”.

A verdade é que todos têm razão. Os caminhos que nos levam ao Divino nada mais são que corredores distintos conduzindo ao mesmo palácio. Não importa como O chamemos. Não importa como com Ele nos relacionemos. Não importa inclusive quem foi o mensageiro, pois a mensagem sempre é mais importante que a discussão sobre quem é o Carteiro. E a dualidade da mensagem da Páscoa, em nossos dias, é mais que necessária. Vimos de 2 anos de uma pandemia mortal que dizimou populações e dilacerou economias. O que começou com números logo se transformou em rostos conhecidos. É difícil encontrar quem não saiba pelo menos o nome de alguém que tenha perdido a vida para este vírus maldito. Nem saímos dessa situação e já mergulhamos em uma guerra de proporções continentais que, apesar de não belicamente declarada como tal, já é mundial em termos econômicos. Famílias sendo devastadas, mulheres estupradas, crianças traficadas e toda sorte de horrores que uma guerra pode propiciar. E para todos que batem no peito e dizem “o problema não é meu”, resta uma certeza: a conta virá! Como já está vindo em forma de inflação, juros, falta de insumos e sabe-se lá mais o que no porvir.

Todos têm a razão. Não importa qual livro esteja lendo. Ou até mesmo se não estiver lendo. A Páscoa traz a mensagem da vida após a morte da pandemia e a libertação do cativeiro da guerra. A Páscoa é hoje; a Páscoa é agora. A Páscoa é uma mensagem superior de que o ser humano ainda tem jeito. Se para você for uma data festiva e seguir seus ensinamentos de amor, Feliz Páscoa. E se para você, for tão simplesmente um feriado, mas você é do bem e propaga o bem, Feliz Páscoa também. Se assim for, tenho certeza de que o carteiro estará muito feliz.