Início Paulínia Após filas paras cetas básicas, justiça manda suspender a próxima entrega

Após filas paras cetas básicas, justiça manda suspender a próxima entrega

Dona Antônia Leite chegou na fila ainda de madrugada, com um bebê nos braços, mas não conseguiu pegar uma das 30 senhas para a cesta. Ela era a 39ª.
Dona Antônia Leite chegou na fila ainda de madrugada, com um bebê nos braços, mas não conseguiu pegar uma das 30 senhas para a cesta. Ela era a 39ª.

Nem todos conseguiram a caixa de alimentos na terça-feira (28). Funcionários teriam pedido à entrevistados “não falar mal da Prefeitura”

“O que era para ser um ato de solidariedade, em Paulínia virou humilhação”. Foi assim que resumiu a desempregada Maria de Fátima Souza sobre a situação da entrega das cestas básicas emergenciais em Paulínia.
Assim como dona Maria de Fátima, dezenas pessoas passaram a madrugada em uma fila para conseguir uma cesta básica emergencial da Prefeitura, mas só os 30 primeiros colocados da fila conseguiam o benefício. A distribuição aconteceu nos dias 27, 28, 29 e 30 de abril, e só teria direito ao auxílio quem recebe até um salário mínimo por morador na residência.
A equipe de reportagem do Jornal da EPTV, de Campinas, esteve no local e constatou a situação. A reportagem foi ao ar na terça-feira (28).
A autônoma Claudiléia Nunes de Aquino era a primeira da fila. “Não viria se fosse para mim, mas tenho duas filhas que precisam. Eu tenho que correr atrás”, disse ela.
Edmilson Pereira dos Santos, que está desempregado, tem uma menina de 5 meses, e voltou ao local de entrega nesta terça-feira (28). Ele não havia conseguido no dia anterior. Como mora em uma área de invasão, o rapaz não tem comprovante de residência, o que dificulta a situação da família dele. Mesmo assim, tentou novamente os alimentos, e entrou na fila às 2h30. “Estou aqui de novo sem comprovante de residência para ver se consigo”, explica.
Cláudio Cardoso, outro sem emprego fixo, não conseguiu o benefício na segunda e como precisava chegar cedo, montou uma espécie de berçário no Monza da família. O veículo foi estacionado na frente do centro de distribuição durante a madrugada. Ele tem três filhos. “Acho que deveria ser feito um novo cadastramento”, pediu Cardoso.
Antônia Gouveia Leite, desempregada, chegou também de madrugada com um bebê no colo, mas saiu sem conseguir a cesta emergencial. Ela era a 39ª da fila. “Disseram para voltar de novo”, disse ela. O marido dela está doente e desempregado.
A assistente social da Prefeitura Inês Guarita explicou que a cesta eventual tem atraído cada vez mais pessoas devido à qualidade dos alimentos e que nem todos se encaixam nos requisitos, mas que atendem o máximo de moradores possíveis.

Boicote à Imprensa
Algumas pessoas disseram ter sido instruídas por funcionários da unidade de distribuição a não falarem com a imprensa, mas caso falassem, evitar críticas à administração. “Disseram que não pode falar mal da prefeitura, tem que falar bem”, disse uma das entrevistadas. (Com informações do G1).

 

Justiça suspende entrega que aconteceria na segunda, 4

No final da tarde desta quinta-feira (30), o juiz de Direito da 1ª Vara do Foro Distrital de Paulínia, Carlos Eduardo Mendes, acatou a denúncia do Ministério Público (MP) do município e concedeu uma liminar que suspende a entrega das cestas de alimentos e variedades que aconteceriam a partir da próxima segunda-feira, 4.
A Prefeitura investiu mais de R$ 11,4 milhões na aquisição dos alimentos em caráter emergencial (que dispensa licitação), mas de acordo com a decisão, o modelo usado nesta aquisição não é correto, já que não há “calamidade pública, como enchentes, desbarrancamentos, deslizamentos de terra, etc, que denotem urgência”.
Ao final do despacho, o juiz determina que o fornecimento seja feito pelo procedimento legal licitatório por inexistir fato notório que a impeça. “Frise-se que o vultuoso valor da contratação, R$ 11.466.000,00, requer a cautela, prudência e lisura, próprios dos procedimento licitatório”.
Em nota, a Prefeitura de Paulínia informou que vai recorrer da decisão, mas vai manter uma equipe no local onde aconteceria a distribuição para informar a população sobre a decisão judicial.