Apontado como um dos responsáveis pela demora na votação do projeto de lei do Executivo que concede subvenção a entidades sociais, o vereador Francisco Almeida Bonavita Barros (PTB) esclareceu em entrevista a polêmica que envolve a questão.
Jornal Tribuna – Bonavita, você foi apontado em recente reunião pelo secretário de Negócios Jurídicos Leonardo Ballone e depois num manifesto de partidos políticos como um dos responsáveis pela demora na votação do projeto de lei para liberação de subvenção municipal para entidades sociais. O que você tem a falar sobre isso?
Bonavita – Em primeiro lugar, eu não tenho culpa da falta de planejamento e desorganização do atual prefeito e, principalmente, pela falta de comando político na cidade. Prova é que, nos últimos 20 anos como vereador, nunca aconteceu uma situação como essa. O projeto chegou à casa no final do expediente do dia 15 de dezembro e os trabalhos da Câmara se encerraram no dia seguinte. E os vereadores entraram em recesso no dia 20 de dezembro, após a votação do orçamento. Além do mais, não só a Câmara, como também a Prefeitura entraram em recesso e só retornaram às atividades normais no último dia 2, após o meio-dia. Portanto, assim, não houve tempo hábil para que o projeto fosse analisado em todas as comissões.
JT – Mas em outros exercícios, projetos como esse eram votados antes do final do ano. Por que não foi assim dessa vez?
Bonavita – Quero afirmar que sempre fui e serei favorável aos projetos de subvenção social, desde que as entidades estejam aptas a receber o benefício. Mas volto a afirmar que, não só a Câmara, como também a Prefeitura, estavam com suas atividades paralisadas. E como a Comissão de Finanças tinha alguns questionamentos a fazer, se tornaria impossível a tramitação normal do projeto.
JT– Mas se existe um prazo determinado para tramitação do projeto, mesmo em regime de urgência, então você acha que a própria Prefeitura não se atentou a esse detalhe para encaminhar o projeto com a antecedência necessária, já prevendo que a Câmara poderia entrar em recesso no dia 20 de dezembro?
Bonavita – Acredito que a falta de organização e pulso firme do prefeito tem gerado muitos problemas. Projetos, como o da subvenção das entidades, devem ser prioridade e, portanto, têm que ser encaminhados com antecedência, até porque acredito que há muito tempo a Prefeitura já tinha conhecimento dos valores a serem destinados e a importância desses recursos para a manutenção desses serviços. Prova disso é que o projeto de lei que instituiu os prêmios para o Carnaval de 2012 chegou à Câmara no dia 5 de maio de 2011, enquanto o das subvenções chegou apenas no apagar das luzes do ano. E aí eu pergunto, o que é mais importante para o prefeito: a premiação do Carnaval ou o trabalho das entidades, como a APAE que cuida de crianças especiais, a AUPACC que dá suporte para pessoas em tratamento contra o câncer, Caco, Casa do Menor, Associação pela Infância e Juventude, entre outras?
JT – Quais eram seus questionamentos quanto ao projeto?
Bonavita – Alguns dos meus questionamentos eram referentes aos processos de prestação de contas que o Caco e Associação pela Infância e Juventude (antiga Guardinha) têm no Tribunal de Contas, demissão de funcionários nessas entidades e redução da concessão de cestas básicas a cada ano, enquanto que os valores repassados se mantêm ou até são reajustados.
JT – Então, você fez os questionamentos ao prefeito e as respostas foram satisfatórias?
Bonavita – No dia 12 fiz o pedido de informações e as respostas chegaram dia 16. Porém, as informações que me foram enviadas não estavam completas e considero também mentirosas, o que me levou a encaminhar de novo parte desses questionamentos.
JT – E mesmo assim, por que você liberou o projeto para votação?
Bonavita – Porque me reuni com todas as entidades e me comprometi que, tão logo chegassem as informações e depois de analisadas, mesmo tendo que esclarecer algumas dúvidas, para não atrapalhar ou prejudicar as entidades e seus projetos à população liberei o projeto para ser votado.
JT– Como você viu o manifesto divulgado pelos partidos que integram a base de apoio do prefeito, que acusam de “revanchismo político” os vereadores que compõem a Comissão?
Bonavita – Para mim, isso é desespero político, falta de informação e, além de tudo, a intenção de prejudicar minha imagem perante a população que conhece muito bem minha atuação como homem público. Entendo que a falta de prestígio do atual prefeito e dos seus principais aliados, que mandam e determinam o que ele tem que fazer, é a motivação para que tentem mostrar alguma coisa para mudar a imagem de quem não fez praticamente nada nos últimos três anos, mesmo tendo uma arrecadação em média de R$ 24 milhões a mais por mês do que na administração do ex-prefeito Edson Moura.
JT – E quanto à acusação de que você comunga com a política do “quanto pior, melhor”, o que você tem a dizer sobre isso?
Bonavita – Com o dinheiro que Paulínia arrecada, considero que é impossível ficar pior do que está. A situação chegou só a esse ponto por incompetência e falta de compromisso do atual prefeito com a população. Veja a situação em que se encontram a Saúde – está na UTI; Segurança – um caos; Educação – não se resolveu ainda o problema de vagas em creches; Habitação – nenhuma casa entregue em três anos e assim por diante.
JT – Mas você também está sendo acusado pelos partidos aliados ao Prefeito de tentar “adiar o início de projetos sociais e de distribuição de renda”, o que tem a dizer sobre isso?
Bonavita – Isso mostra o despreparo e maldade para com o meu trabalho como vereador, até porque votei favorável a quase todos os projetos de interesse social, exceto a Bolsa Amamentação, porque acho que é dever do Município dar creche às crianças para possibilitar que as mães possam trabalhar. Portanto, não queiram transferir a falta de responsabilidade e compromisso do prefeito com a população para este vereador. Tenho feito tudo o que está no meu alcance em respeito aos moradores de Paulínia.








