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Brinco de Ouro é arrematado em leilão por R$ 105 milhões

Por enquanto, o grupo ainda não toma posse do estádio. A justiça vai esperar o trânsito de todos os recursos, que estima que demorem em um ano, para só depois repassar a área para o arrematante
Por enquanto, o grupo ainda não toma posse do estádio. A justiça vai esperar o trânsito de todos os recursos, que estima que demorem em um ano, para só depois repassar a área para o arrematante

A Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion Empreendimentos Imobiliários, de Porto Alegre, que se dispõe a pagar 30% desse valor à vista; a diretoria do Guarani informou que irá recorrer da decisão

A Maxion Empreendimentos Imobiliários, empresa de Porto Alegre, arrematou o Brinco de Ouro por R$ 105 milhões na tarde de segunda-feira (30) em audiência realizada no Fórum Trabalhista. A Justiça do Trabalho aceitou a oferta da empresa, que vai depositar 30% desse valor à vista e pagar mais 12 parcelas de R$ 6,125 milhões. A diretoria do Guarani já anunciou que vai recorrer à Justiça para anular o leilão. A empresa gaúcha foi a única a fazer uma oferta, em audiência que contou com a presença de representantes do Guarani, da Prefeitura, investidores interessados na área e credores.
A presença do grupo na audiência foi uma surpresa. Depois da recusa da juíza Ana Cláudia Torres Vianna pelos três lances oferecidos no leilão do último dia 18 (de um polo de empresas de Jaboticabal, da MMG Consultoria e Assessoria e da Lances Negócios Imobiliários), a Maxion fez a proposta sem nenhuma condicionante. Como ninguém teve interesse em cobrir o valor, o martelo foi batido.
Por enquanto, o grupo ainda não toma posse do estádio. A justiça vai esperar o trânsito de todos os recursos, que estima que demorem em um ano, para só depois repassar a área para o arrematante. Até lá, o clube tentará melar o leilão, até porque a Maxion garantiu que tem planos para o Brinco e não pensa em permitir que o Guarani continue jogando no estádio, além de também não cogitar ajudar o clube a ter uma nova casa. “Não dá (para o Guarani continuar atuando no estádio) porque aí a gente não poderia desenvolver o projeto que temos”, afirma Dárcio Vieira Marques, advogado que representa a empresa. “Não sei se o Brinco de Ouro desapareceria, a gente pode preservar isso e encontrar algum modo de encaixar isso num projeto multiuso”.
Presente à audiência, o secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura, Mário Orlando de Carvalho, garantiu que o Poder Público não abre mão de receber de volta as duas matrículas que doou ao Guarani. Segundo o acordo feito na cessão, elas teriam de ser devolvidas caso deixem de ter um fim esportivo ou não sejam de uso específico do Guarani. “A Prefeitura vai cumprir todas suas obrigações morais e de lei para que a cláusula vinculadora seja respeitada e os bens devolvidos à municipalidade. Não é questão de opinião, é uma questão fixa naquilo que é um dever de nós que estamos zelando pelos bens públicos de Campinas”.
Bastante abatido, o presidente do Guarani Horley Senna deixou o Fórum logo após a decisão e disse que o clube vai lutar com todas as forças para evitar a arrematação. “Posso dizer ao torcedor bugrino que não vamos desistir. Pelo que me consta é um grupo forte, mas que vem do Sul, não conhece nada do Guarani, nem da cidade. Eles não imaginam o problema que estão arrumando”.