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Júri popular condena assassinos de jovem que morreu em Betel

Crime aconteceu em 2005; dupla matou o jovem João Eduardo Geremias: ex-namorada é apontada como mandante do crime

Família de João Eduardo Geremias acompanhou o julgamento no Fórum de Paulínia

Os dois homens acusados de terem matado o jovem João Eduardo Geremias, de 27 anos, em novembro de 2005, foram condenados na noite desta quinta-feira (15) por um júri popular no Fórum de Paulínia. A sentença foi divulgada no final da noite após 12 horas de julgamento.

Carlos Roberto de Lima Fernandes e André Luciano Serrato foram sentenciados a 15 anos de prisão em regime fechado, sendo 12 pela pena máxima do crime de homicídio qualificado, e mais três pelo agravante de não permitir defesa à vítima, que foi morto com as mãos amarradas.

Um terceiro homem que também teria participação na morte, Ramiro Alves da Mota, aguarda o seu julgamento em liberdade. De acordo com as investigações, o trio matou João Eduardo a mando de Manuela Guedes Santos, ex-namorada da vítima, com quem tinha um filho.

Ela está solta e não foi julgada graças a um recurso impetrado por seu advogado no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um dos depoimentos mais aguardados do dia era da mãe da vítima, Amélia Zaupa Geremias, que foi a última pessoa a falar com João. Amélia lembrou que o filho fez uma ligação no dia do desaparecimento afirmando que iria passar na casa de Manuela para ver a criança, que tinha dois anos na época, e nunca mais voltou. Ralph Tórtima Filho, advogado da acusada, foi procurado pela reportagem, mas não atendeu às ligações.

Durante o julgamento, cerca de 300 pessoas passaram pelo tribunal. Quando a juíza Maria Raquel Neves anunciou a sentença, houve aplausos. O advogado da família, Giuliano Guerreiro Ghilardi, acredita que o resultado do julgamento alicerça a condenação de Manuela.

O crime

João Eduardo Geremias foi encontrado morto em 10 de novembro de 2005 em uma área rural do bairro Betel. Ele foi morto com três tiros na cabeça e tinha sinais de tortura.

O carro do estudante, que tinha 27 anos e trabalhava como representante comercial, foi incendiado. As investigações para apurar a morte de Geremias duraram menos de dois meses. Os três homens que mataram João foram presos após a polícia encontrar o celular da vítima com um deles.

Após a quebra do sigilo telefônico de Manuela, a polícia também descobriu que ela teria sido a mandante do crime. O motivo de tanta brutalidade teria sido banal. Manuela teve um filho com a vítima, mas namorava um outro rapaz.Ela não queria que o seu atual namorado, que registrou a criança, descobrisse a paternidade, mas João deu um prazo para que Manuela contasse a verdade, informou a família.

Em novembro de 2005, um mês antes do prazo dado pelo jovem, ele foi brutalmente assassinado. As investigações apontaram que no dia do crime, Manuela manteve contato com Carlos Roberto, condenado nesta quinta (15).

Foram 15 telefonemas que partiram do celular de Manuela para o assassino. A advogada chegou a ser presa dois meses depois do crime, mas foi solta em abril de 2006, e hoje trabalha como advogada criminalista em Piracicaba, à espera de julgamento. (RAC).