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Prefeitura se contradiz com argumentos sobre demolição da Concha Acústica

Nota enviada a imprensa diz que desde 1996 o local não comporta eventos com elevada qualidade tecnica de som, porém, grandes shows como o de Roberto Carlos, Caetano Veloso, Daniela Mercury e até o PAM utilizaram a Concha

 

A polêmica demolição da Concha Acústica de Paulínia rendeu muitas contradições por parte da Prefeitura Municipal durante esta semana. Após ser divulgada a determinação do juiz Eduardo Bigolin, da 2ª Vara da Fazenda Pública, que emitiu na terça-feira (11) uma liminar que suspende a demolição da concha acústica do Parque Brasil 500, a atual administração se manifestou em forma de nota à imprensa. A decisão judicial ocorreu após o presidente do DEM Paulínia, o advogado Arthur Freire, entrar com uma medida cautelar pedindo a preservação do patrimônio publico.

No documento, a assessoria do prefeito usa argumentações vagas e até contradições para explicar o motivo da demolição, deixando os manifestantes que permanecem no local ainda mais indignados. “Isso aqui não quer dizer nada. Não há nada pauposo, com motivos realmente cabíveis, não há condenação da estrutura, não oferece perigo à população. O que eles usaram como argumento foi a falta de uso por parte deles mesmos, aliás, falta de uso nada, porque o Rodeio utilizou a Concha!”, dizem os manifestantes.

Em nota, a prefeitura usou argumentos contraditórios: “2. A identificação de problemas na Concha Acústica pela atual administração ocorreu em agosto de 2009, por decorrencia da realização do Concerto da Orquestra Filarmônica de Israel, sob a regência do maetro Zubin Metha”, “5. Em verdade, todo empreendimento denominado Parque Brasil 500 sofre de problemas graves em sua configuração para o uso amplo de espetáculos e shows desde sua inauguração”, e “6. Não é por outra razão que, desde 1996, a utilização do Parque Brasil 500 era limitada a eventos do calendário do município ou atividades que não demandam elevada qualidade tecnica de som”.

Porém, os manifestantes lembram que grandes shows já foram feitos naquele local despois da data mencionada no documento e que nenhum artista se pronunciou alegando problemas no local. Eles citam shows de artistas como Roberto Carlos, Daniela Mercury, Capital Inicial, Caetano Veloso, Jota Quest, LS Jack, entre outros. “São shows de grande estrutura, que atraiu milhares de pessoas, principalmente jovens, e nunca teve problema. Agora, motivado pelo acordo com o SWU, o prefeito quer demolir, mas não conseguiu encontrar um argumento capaz de fazer com que a gente aceitasse a decisão. Isso é nosso, é do povo! O juiz está do nosso lado e não vamos deixar que esses desmandos continuem aqui em Paulínia”.

Ailton Carlos Monteiro Aguiar, 44 anos, que dormiu por duas noites na concha, se diz decepcionado com a demolição. “É um absurdo demolirem um patrimônio desse valor, que foi gasto com o dinheiro do povo”, afirma o construtor civil, que vai mais além. “Isso (demolição) é uma provocação a administração passada. Não vai ser feito nada lá no local da concha. Derrubar um patrimônio desse só para a SWU?”, questiona Aguiar, morador de Paulínia há 38 anos.

Na imagem que mostra o principal ambiente do Paulínia Arena Music, uma estrutura metálica é montada em frente à Concha, aumentando o espaço do palco que já existe

De acordo com o mapa de estrutura e fotos do Paulínia Arena Music (PAM), rodeio retomado pelo atual prefeito, o evento também utilizou a estrutura da Concha Acústica como parte do palco em que grandes nomes da música brasileira se apresentaram, como Victor e Leo, Jorge e Matheus, Fernando e Sorocaba, Luan Santana, Michel Teló, Maria Cecília e Rodolfo, entre outros.

O juiz determinou que a prefeitura apresente em cinco dias os laudos técnicos em que ela se baseou para decidir pela demolição. Só depois disso é que o juiz decidirá se obra pode ou não ser feita.

SWU

As manifestações sobre a demolição da Concha Acustica do Parque Brasil 500 teve inicio quando a organização do SWU divulgou, no começo do mês de outubro, um mapa da disposição do festival que não mostra a concha acústica. O chefe da divisão de eventos do município, Rodrigo Pereira, disse, naquela ocasião, que a obra já estava prevista e não tem relação com a realização do festival. A data da demolição com a proximidade do festival seria apenas coincidência.

O Parque Brasil 500 abriga o carnaval da cidade, um dos maiores da região, além de eventos como o Paulínia Fest, Paulínia Arena Music, entre outros. O espaço será sede até 2015 do SWU, realizado pela primeira vez este ano na cidade.

Veja o que disseram alguns integrantes do movimento “pró-concha”

 “Este evento vai durar apenas três dias e um mês antes já está causando esses estragos. Não somos contra o evento, mas estamos preocupados porque a cidade não comporta um evento como este por causa da segurança, entre outras coisas. Só que isto que está acontecendo aqui a gente não pode permitir”, Simone Moura,  vice-prefeita

“ Paulínia não tem uma infraestrutura para poder atender uma demanda de 200 mil pessoas em apenas três dias. Hoje nós temos um problema na saúde municipal muito grave que é a fila de espera por atendimento no Hospital, que pode chegar a quatro horas. Por isso, eu estou preocupado com a integridade física desses visitantes porque eu não tenho essa estrutura para dar o suporte necessário”, Wilson Machado, presidente da Acip

“Agora cercaram todo o entorno do Parque Brasil 500. Não entendemos nada, porque quem quer destruir a Concha Acústica é o prefeito, não o povo!”, Dr. Arthur Freire, advogado e presidente do DEM

“Querem fazer a área de acampamento ao redor da lagoa. Nada pode ser feito porque é area de proteção permanente e está em recuperação por força de um termo de ajustamento de conduta assinado no ministério público. O acordo não foi cumprido pela prefeitura, vou fazer um boletim de ocorrencia relatando o que constatamos”, Henrique Padovani, ambientalista

Veja o que saiu na imprensa regional sobre o assunto:

http://www.tvb.com.br/balancogeral/videos-exibe.asp?v=17080