Início Meio Ambiente Rio Atibaia tem queda brusca de vazão e é alvo de preocupação

Rio Atibaia tem queda brusca de vazão e é alvo de preocupação

Atibaia: vazão cai bruscamente com “sumiço” da água
Atibaia: vazão cai bruscamente com “sumiço” da água

As quedas bruscas, e até agora inexplicáveis, na vazão do Rio Atibaia, estão começando a colocar em risco o abastecimento das cidades que dependem dele. Na região, a mais próxima é a vizinha Campinas.

Na terça-feira (17), houve uma queda de vazão de 7,05m3/s para 5,66m3/s pela manhã, em um período de apenas três horas, e à tarde o mesmo comportamento voltou a se repetir. O limite para início de racionamento de água na cidade é 4m3/s. Nem o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), responsável pelas autorizações de retirada de água do rio, nem a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa), que usa o Rio Atibaia para abastecer 95% desta cidade, conseguiram identificar a causa do problema.
“Se tivéssemos água suficiente no rio, essas quedas de vazão não teriam problema, mas com a estiagem que estamos enfrentando, e com um volume próximo do limite, esse sumiço de água preocupa muito”, afirmou o diretor-técnico da Sanasa, Marco Antônio dos Santos.
Normalmente, em junho, o Atibaia tem uma vazão média de 16,7m<MD+>3/s na região entre as captações de água de Valinhos e de Campinas, mas têm passado apenas um terço dessa média.

Especulação

A hipótese mais provável para explicar as quedas abruptas de vazão no Atibaia é que ao longo do rio a água está sendo bombeada para encher reservatórios privados, uma vez que já foi descartada a possibilidade de o sumiço da água estar sendo provocado pelo funcionamento da pequena central hidrelétrica (PCH) existente próximo da captação.
A PCH Salto Grande não está funcionando por causa da baixa vazão do Atibaia e há um acordo feito com os Comitês das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiai (PCJ) para que a operação só ocorra quando a vazão do rio, medida na captação feita em Valinhos, esteja acima de 7m3/s.
A Sanasa, disse Santos, vai ajudar o Daee com pessoas e meios na fiscalização do rio, para descobrir para onde está indo a água que some do rio. O Daee também planeja promover sobrevoos para tentar identificar o problema.

Cantareira

A falta de chuva continua derrubando o volume de água armazenado no Sistema Cantareira — usado para abastecimento da Grande São Paulo e municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC), como Paulínia — e na calha dos rios das Bacias PCJ. O sistema operou esta semana com 22,6% da capacidade no conjunto de represas que formam o chamado Sistema Equivalente.
Pouca água está entrando nos reservatórios do Cantareira, tanto de chuva quanto dos rios cujas nascentes estão no sul de Minas Gerais e que abastecem o sistema. Na terça-feira eram apenas 6,47m3/s e saíram 3m3/s para os rios das Bacias PCJ e 30,50m3/s para a Grande São Paulo.