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Seis vereadores votam contra vontade popular

O prefeito, secretários e membros do primeiro escalão da Administração são acusados de improbidade administrativa na organização do carnaval 2010/2011 

Apesar dos protestos da população, seis vereadores não aprovaram a investigação sobre o desvio de dinheiro público pelo prefeito

Com o plenário lotado, os vereadores que defendem o governo Municipal ignoraram as manifestações e gritos da população pedindo o afastamento do prefeito, na sessão de terça-feira, 6, e votaram contra o acolhimento da denúncia feita pelo ex-vereador Mário Lacerda Souza, que pedia o afastamento provisório e a cassação do mandato do prefeito por improbidade administrativa. São eles: Gustavo Yatecola (PTdoB), Jurandir Matos (PSB), Marcos Roberto Bolonhezi (Marquinho Fiorella) PP, Antonio Miguel Ferrari (Loira) PP, Amarildo José Rodrigues da Silva (PTdoB), e o presidente da Câmara Marcos Roberto de Bernarde (Marquinho da Bola) PSB.

O prefeito, juntamente com o atual secretário de Negócios Jurídicos Dr. Leonardo Espártaco Cézar Ballone e a ex-secretária da pasta, Dra. Darci Fernandes Pimentel, os assessores jurídicos Dra. Luciana Marinho e Dr. Tiago José Lopes e o diretor executivo de Gabinete, Rodrigo Assis Moreira e o secretário de Turismo André Matos, tiveram seus bens bloqueados, através de decisão da Juíza da 1ª Vara Judicial do Foro Distrital de Paulínia, Dra. Maria Raquel Campos Pinto Neves.

No processo, o Ministério Público aponta como irregular a contratação sem licitação de uma empresa para intermediar o pagamento das atrações do Carnaval (das edições de 2010 e 2011); ou seja, a contratação deveria ter sido feita diretamente ao artista ou de seu agente. A empresa organizadora foi a responsável pela contratação dos shows nos últimos anos.

No Carnaval de 2010, a empresa Brambilla Eventos Ltda. foi contratada pelo valor de R$ 1.693.000,00 (um milhão e seiscentos e noventa e três mil reais). Já em 2011, a mesma empresa foi contratada pela quantia de R$ 1.474.000,00 (um milhão e quatrocentos e setenta e quatro mil reais).

De acordo com a ação, o prejuízo aos cofres públicos, por conta do superfaturamento na contratação das atrações, seria de aproximadamente R$ 1.700.000,00 (um milhão e setecentos mil reais).

Na Ação Civil Pública impetrada, o promotor Dr. Danilo Mendes também solicitou o afastamento do prefeito de suas funções, mas o mesmo foi negado pela Justiça.

Os bens da proprietária da Brambilla Eventos também foram bloqueados.

Apenas os vereadores: Simeia Zanon (PSDC), Custódio Campos (PT), Bonavita de Almeida Barros (PTB) e Adilson Palito (PC do B) votaram pela criação da Comissão Processante que iria analisar o pedido de afastamento e cassação do prefeito.

O vereador Custódio Campos (PT) tentou impugnar o voto do vereador Jurandir Matos, argumentando que o secretário de Turismo André Matos, que é citado na ação, é irmão dele, porém a Casa entendeu que não havia irregularidade.

A vereadora Siméia Zanon (PSDC) reafirmou sua posição contra o atual governo municipal declarando a sua indignação com os desmandos do prefeito que, segundo ela, tem feito a população sofrer e, pediu para que os vereadores votassem a favor do acolhimento da denúncia feita pelo ex-vereador Mário Lacerda para que os fatos pudessem ser apurados com rigor. “Estou aqui de cara limpa, ciente e muita segura do meu papel de vereadora e sou oposição por não concordar com tanta falta de respeito com o povo”.

O vereador Bonavita disse que o povo não é idiota referindo-se a “revista’ da Administração Municipal distribuída para a população, onde questionou as ações divulgadas na publicação “ Há apenas quatro páginas falando dos atos do poderes Executivo e Legislativo e o restante é só propaganda política”.

A surpresa foi o voto do vereador Palito que votou a favor do acolhimento da denúncia por acreditar que o episódio deve ser investigado. “Eu defendo a verdade, então acredito que deve haver uma investigação para apurar os fatos”.

A sessão também foi marcada por várias manifestações do povo contra a atual administração com frases como: “ A cidade está em estado de miséria”; “ Paulínia nunca teve um prefeito ruim igual a esse”; “Político justo é político que fica do lado do povo”.

Participação popular

As pessoas que costumam frequentar a sessão da Câmara, estranharam a lotação do Plenário nesta terça-feira, 6, pois a maioria dos lugares foi ocupada por representantes da Administração Municipal (cargos do prefeito) vestidos com camisetas brancas.

Também, um esquema de segurança foi montado dentro e fora do plenário. Ninguém entrava no local sem antes ser revistado.

Apesar dos ânimos exaltados durante toda sessão, não foi necessário a intervenção dos Guardas Municipais e nem da Polícia Militar.