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Um passeio no tempo

Fugir do pedágio virou um exercício diário para muitos motoristas em Paulínia. A vicinal, recentemente asfaltada, que liga o João Aranha à Americana e Cosmópolis – antes trilha apenas de jipeiros, ciclistas e amantes de pesqueiros (o que na verdade é muito mais que pescar, mas isso é assunto para outra coluna) – virou uma auto-estrada. De asfalto mesmo, só o trecho até Americana. O destino para Cosmópolis cai na propriedade da Usina Ester e é por lá que se vive uma reviravolta no tempo, um passeio rápido, mas incrível.

A estrada começa ao lado do condomínio João Vieira, uma entrada perigosa que desfavorece a quem está a pé e a qualquer um que venha com a velocidade acima do limite – e, infelizmente, esses não são poucos. A visão é ruim, por isso, é preciso cautela para entrar e desfrutar de uma estrada que apesar de estreita, pois não tem acostamento, é ladeada por árvores quase do começo ao fim, com exceção de quando é cana de açúcar, outra passagem gratuita pelo tempo.

Na margem ainda é possível apreciar uma casa de construção antiga, num romântico tom amarelo, bem ao lado do lago de um dos pesqueiros. É uma visão fantástica que precede copas de árvores se tocando e criando um verdadeiro corredor verde, com espaço apenas para a claridade do dia numa sombra fresca que faz muita falta nas grandes rodovias a fora.

Mais adiante, depois da entrada para Americana, os portões da Usina Ester abrem um caminho batido de pedra, com canavial pelos dois lados e alguns conglomerados de mata preservada. À frente estão as casas das antigas colônias e as chaminés da açucareira e alcooleira. A ponte estreita sobre o Rio Jaguari aproxima o turista da sede da empresa que desde 1898 deixou de ser alambique para tornar-se um dos principais marcos da colonização europeia em nossa região.

Isso porque ao lado da Usina Ester, além da estação, funcionava a casa de máquinas das locomotivas que traziam os imigrantes. Por ali muitas das famílias decidiam ficar e como prova dessa história, o passeio pelo passado presente, encerra-se com a visão de uma das antigas locomotivas expostas ao lado da Igreja de São Paulo, de onde se abre – sem que se perceba o limite entre as cidades – o caminho para a vizinha Cosmópolis, não sem antes passar por mais duas colônias onde ainda vivem os funcionários da usina e uma bela trilha de eucaliptos.

Michele Carneiro é repórter há dez anos. Está em Paulínia desde 2003, onde atua em todos os setores de redação e diagramação. Como defensora do diploma para a prática do Jornalismo, está no terceiro período do curso.