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Wilson Machado cobra vereadores sob interferência do presidente da Câmara

O vereador Palito se retirou do plenário, assim que o presidente da Acip iniciou seu discurso, sendo interrompido diversas vezes por Marquinhos da Bola

Texto e Fotos: Eliane Franco

Apesar de ter por direito a dez minutos para expressar seus pensamentos, ou em forma de pergunta ou em discurso corrido, o presidente da Acip (Associação Comercial e Industrial de Paulínia) Wilson Machado, foi interrompido diversas vezes pelo presidente da Câmara de Paulínia, Marquinho da Bola (PTB – líder do governo na Câmara), dizendo que o foco do tema ‘Sustentabilidade e Economia da Cidade’ estaria sendo desviado.

Wilson Machado iniciou seu discurso na Casa, em forma de perguntas para os vereadores. “Vou falar de sustentabilidade e, quando falo desse assunto, falo da economia no geral, do dinheiro na verdade. E hoje, vim nessa Casa de Leis para fazer algumas perguntas para os vereadores. Como não tenho direito a réplica vou sentar lá e escutar, vou tomar bordoada ou simplesmente vou ouvir o que a população quer e o que os comerciantes também querem saber”.

O primeiro a ser questionado pelo presidente da Acip foi o vereador Custódio Campos (PT). “Tudo o que estou falando é política e tem a ver com economia, a base salutar da nossa cidade, então eu pergunto pra você, Custódio. O PT é uma sigla forte, sendo o terceiro mandato na presidência da República, um incansável trabalho de oposição do presidente Lula e sendo esse o mesmo tipo de liderança que o PT de Paulínia busca, no entanto eu quero saber do senhor, primeiro como único petista eleito na história do partido em Paulínia, onde estava o pré-candidato a prefeito Senhor Dixon Carvalho durante a greve dos servidores, eu lhe pergunto onde estava o Dixon Carvalho, porque Senhor leva essa bandeira praticamente sozinho?”.

Para o vereador Marquinho Fiorella (PP), a pergunta foi sobre a promessa do prefeito José Pavan Júnior de doação de terra para o Clube de Campo e também sobre o cartão da Acip com débito em folha de pagamento dos servidores, o que iria manter o comércio aquecido.

“Marquinhos, nem a doação de terra e nem o cartão da Associação Comercial aconteceu, pois o projeto foi sancionado pelo prefeito e aprovado por essa Casa e não foi concluído. Com isso, a nossa economia está perdendo são mais de R$5 a R$6 milhões que poderiam estar circulando na cidade de Paulínia, e o que vemos são as terras sendo doadas, e hoje poderia estar favorecendo com o Clube de Campo as empresas Petrobras e Braskem que tinham interesse na época e ainda tem, pois são 5 mil funcionários do comércio e mais 15 mil das empresas, gerando entretenimento para 40 mil pessoas. Então eu faço um apelo aqui, porque como você falou Marquinhos, naquela época, que iria cobrar, não prometa mas quando prometa cumpra isso é sustentabilidade, é entretenimento, é dinheiro para cidade. Gostaria que o você cobrasse o prefeito, ou a gente pode entrar na fila dessas doações milionárias?

Machado direcionou uma pergunta para o vereador Bonavita que fez referência, durante a sessão, sobre o desvio de óleo diesel da prefeitura para a empresa organizadora do evento.

“Qual é a resposta de quem está no governo para um tipo de ação criminosa corrupta como a gente viu na semana passada, quando a prefeitura de Paulínia forneceu combustível para o Rodeio, que é um dinheiro nosso que está saindo da nossa economia, você já salientou que está cuidando desse assunto. O que mais acontece em baixo do nariz do nosso povo que a gente só fica sabendo através de denúncias. O prefeito faz o que quer e aí a gente fica assistindo, mas eu vejo que o senhor está tomando as atitudes juntamente com esta Casa, na verdade presta bem atenção no que diz a nota da prefeitura, pois a prefeitura mandou uma nota. O Abastecimento de óleo diesel feita pela prefeitura de Paulínia para o PAM é parte de um acordo firmado entre as partes devidamente documentado através do Protocolo 13308/2011. Esse protocolo prevê que a empresa realizadora do evento concederia dois dias abertura e encerramento com entrada franca à população de Paulínia em troca de autorização para alteração de mudança de data do evento já prevista anteriormente e abastecimento dos geradores utilizados no evento. A mão de obra seria ressarciada após o primeiro dia de encerramento do PAM. É possível isso, a prefeitura vender combustível. Posso ir abastecer no barracão também? Outra pessoa que não seja chegado do prefeito pode? Porque esse documento não apareceu na sexta-feira, 23, no dia da denúncia? Os senhores sabem que este tipo de ação acontece dentro da prefeitura? Isso é dinheiro, é economia nossa que está saindo do nosso bolso.

Sobre as doações de terra (todos os projetos aprovados na sessão) Machado questionou o vereador Palito (PCdoB), que se retirou do Plenário, no início de seu discurso.

“Vereador Palito, o Senhor defendeu a doação de terra, dinheiro nosso, terras de Paulínia para empresas que tem menos de um ano e com capital social limitada até R$ 50 mil. Eu pergunto ao senhor que até então trabalhava ou trabalha no ramo de combustível, pode me dizer se qualquer empresário em sã consciência teria coragem de entregar um patrimônio de R$3 milhões nas mãos de uma empresa nessas condições. O Senhor chama isso de investimento? O Senhor investiria R$3 milhões nas mãos de quem tem só R$50 mil e não tem experiência no mercado, porque quando o patrimônio é do povo ninguém faz essas perguntas para si mesmo? O Senhor também anunciou que é pré-candidato a prefeito, é com essa visão, a mesma de Pavan, que irá governar Paulínia se for bem sucedido nas eleições?”

Sobre o tema Educação, Machado baseou sua pergunta ao vereador Marquinho da Bola, na recente entrevista da secretária de educação Maria Stela Sigrist para o Jornal Tribuna de Paulínia, quando ela afirma que há uma indústria de mandatos de segurança para as famílias conseguirem vagas nas creches.

”Se as mães estão trabalhando a economia fica aquecida, a secretária disse ainda, que está nas mãos dos vereadores acabar com o déficit das creches. Então Marquinho, eu pergunto se essa questão está nas mãos dos vereadores agora? Em dois anos e meio não tinha nenhum projeto vocês não pensaram em nada que pudesse ser feito pelo governo para que pudesse sanar a falta de vagas nas creches? O Senhor assim como a secretária acreditam que uma família que precisa ter os pais trabalhando o dia todo está prejudicando a estrutura de uma cidade milionária como Paulínia ao exigir a vaga na creche que é direito de toda criança?”.

A questão sobre o alto custo da instalação do monitoramento na cidade, foi feita por Machado para o vereador Jurandir Matos.

”O Senhor que já foi Secretário de Segurança e inclusive apresentou o projeto do monitoramento com câmeras na cidade, pode me explicar como que o valor colocado em prática subiu R$ 23 milhões e meio, que eu até fiz um trabalho com o Senhor fazendo uma matéria. Como é que a Unicamp tem 62 câmeras (1 em cada metro) com equipamentos na sala de monitoramento, funcionários, e o projeto todo custou R$ 3 milhões.

Após o discurso de Wilson Machado, os vereadores Jurandir Matos, Bonavita, Custódio, Marquinho Fiorella e Gustavo Yatecolla fizeram suas considerações para o Presidente da Acip. O presidente da Câmara, Marquinho da Bola, não quis responder a questão feita por Machado referente à Educação.

RESPOSTA DOS VEREADORES

Jurandir Matos (PMDB)
“Quando fui secretário de segurança foi feito um projeto muito bonito e que se colocasse em prática na época também seria bom, e o Wilson acompanhou o trâmite. O projeto foi liberado somente há um ou dois meses atrás, porque tiveram empresas que perderam entraram na justiça contra as empresas que ganharam e houve todo esse impasse e lentidão no processo de licitação da prefeitura. Quando Wilson fala que outras cidades gastaram R$ 3 milhões, enfim no projeto da Unicamp gastou bem menos concordo com ele, mas esses projetos não são tão amplos como o de Paulínia.
Aqui temos internet para todas as residências, ligação via internet para todos os bens públicos como creche com creche, escola com escola, enfim um projeto muito mais amplo com 160 câmeras. É fácil verificar o sistema de monitoramento de outras cidades como Vinhedo, mas chega lá tem 30 câmeras não tão sofisticadas como as de Paulínia. É só nós pegarmos no Semanário Oficial o número da licitação e ver o que contém na matéria para que possamos falar num gasto de R$23 milhões. Então é um projeto muito amplo, além do projeto que eu tinha lá atrás, porque foi aperfeiçoado pela Prefeitura, pela Secretaria de Planejamento, pela Secretaria de Segurança e também pela Secretaria de Educação que está fazendo uma interligação entre todas as escolas. É um projeto da altura de Paulínia, que merece isso sim e até o final do ano todos os bairros serão beneficiados inclusive os bairros distantes. Toda cidade vai ser monitorada”.

Custódio Campos (PT)
Com todo respeito ao meu amigo Wilson, a Câmara tem que zelar pelo bom uso da Tribuna Livre. Continuo defendendo a abertura da Tribuna e que não exija tantos documentos. Quando o prefeito Edson Moura que defendia o Pavan no exercício, não sei se ele tinha ciência do paradeiro dele eu não tenho conhecimento que ele tenha vindo aqui perguntar onde estava o Edson Moura e agora ele está preocupado com pessoas do PT, acho que ele teria que ter outras preocupações e usar a Tribuna Livre realmente com interesses da nossa população. Então com todo respeito Wilson nós temos que zelar aqui pelo bom uso da Tribuna Livre porque isso aqui é coisa séria e se você quiser conversar comigo sobre alguns assuntos você me procura. A Tribuna Livre não é para essa finalidade.

Bonavita (PTB)
Eu tenho convicção plena que ele sabe que o tema que ele inscreveu aqui ‘Sustentabilidade e Economia da cidade’, ele sabe que não falou, ele sabe disso, veio para passar aqui um outro recado acho que não conseguiu até mesmo por causa do curto tempo que é a Tribuna, eu sempre respeitei as pessoas, mas acho que hoje saiu do foco. Sobre a questão do gerador, que eu já havia falado antes, eu quero achar que isso é mentira.
Em relação a esses possíveis gastos de 23 milhões muito bem defendido pelo líder de governo e a missão dele é essa mesma de tirar leite de pedra, essa é a função dele, já passei por isso, mas eu preferia que destes R$23 milhões gastassem aí sei lá R$ 5 milhões com monitoramento da cidade que acho importante. Eu não tenho nada contra a internet, nada contra a modernização, mas eu ficaria muito mais feliz se pegasse 5 desses milhões construísse casas populares e entregasse para o povo, ou ainda,  pegasse  R$5 milhões investisse em Segurança Pública.
Câmera é um investimento, é, mas só as câmeras não vão resolver o problema da segurança, pega R$5 milhões e termina as creches iniciadas ou constrói outras creches ou então gasta R$15 milhões em outros investimentos necessários para nossa cidade e faz um monitoramento, mas esse eu acho que é um assunto que virá a baila em outros momentos e que iremos discutir melhor e que com certeza absoluta aprofundar um pouco mais.
Mas acho uma loucura e não consigo enxergar onde está o interesse real do nosso povo que é casa para morar, segurança e a questão da saúde, então vamos investir primeiro nessas outras coisas, mas eu acho que não vai dar tempo, porque se até hoje não conseguimos terminar nem o que foi começado no outro governo passado imagine iniciar um projeto desse tamanho, eu não acredito, quero ver pra crer e acho que não vai acontecer.

Marquinho Fiorella
Eu e o Bonavita estávamos naquele evento, quando você propôs esse convênio da Acip e também a doação do terreno para o Clube de Campo, acho que são dois atos para o poder executivo pensar e são atos realmente do poder executivo. A Câmara está aqui à disposição e tem estudado todos os projetos que tem chegado, vindo pra cá com certeza a gente vai apreciar e se tiver que ser aprovado nós vamos aprovar sim.

Gustavo Yatecola
Conheço bastante o Wilson tive vários contatos com ele no passado agora a gente está mais distante um pouco, a gente não tem mais se visto, mas é uma pena que tenha se prestado a esse tipo de trabalho realmente fugiu o foco totalmente da Tribuna, nunca vi uma Tribuna dessa forma, mas ao mesmo tempo fiquei curioso com a parte que me cabia, gostaria que você me mandasse por e-mail depois para que se for pertinente a pergunta responderei com todo respeito a sua pessoa.