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Uma cidade, dois padroeiros

Eleito pelo povo, São Bento tornou-se patrono da primeira Paróquia de Paulínia, erguida em homenagem ao Sagrado Coração de Jesus

Nos meados do século XIX, Paulínia era pouco mais que uma grande fazenda produzindo café e cana de açúcar. Conhecida pela grande quantidade de cobras que havia em suas matas, os colonos instituíram São Bento como seu santo protetor. A reza dos antigos dizia assim: “São Bento, livrai-me desse bicho peçonhento”.

Protetor das pestes, mordeduras de víboras e lacraias, o santo foi eleito para manter os animais o mais distante possível dos trabalhadores da roça. Em sua homenagem, os donos das terras, a família do comendador Francisco de Paula Camargo, as denominaram Fazenda São Bento, onde também construíram a primeira capela de São Bento, na então vila São Bento, hoje Paulínia.

A primeira capela é atualmente uma ruína na fazenda que mantém o nome de batismo no bairro Parque da Represa. Sua construção não tem uma data precisa, sabe-se que foi ao final dos anos de 1890 e que alguns anos depois veio quase que totalmente ao chão devido a um incêndio que também não se tem notícia de como ocorreu.

Como a vila já havia se expandido com a chegada das primeiras estações dos trilhos da Carril Funilense, o núcleo José Paulino, hoje o Centro da cidade, ganhou uma réplica da antiga capela e São Bento foi alocado, em 1903, na já principal avenida de Paulínia, a José Paulino.

Com todo esse histórico, São Bento que também é o padroeiro de toda Europa e dá nome ao pontificado do atual Papa católico, tinha tudo para tornar-se o padroeiro oficial da cidade. Mas, não foi o que ocorreu. Em 1922, sob protestos da população local, para marcar a chegada do primeiro pároco, padre Pedro Tomazini, o Cônego Samuel Fragoso organizou um grupo de devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que floresceu com a construção da primeira paróquia, também no Centro.

Naquele mesmo ano, devido à devoção dos sacerdotes e a intensificação que ganhou com o Reverendo Samuel Simões, o bispo Dom Paulo de Tarso Campos, determinou o Sagrado Coração de Jesus como padroeiro oficial da Paróquia. E a São Bento ficou dedicou-se a nomenclatura de patrono da paróquia. Desde então, Paulínia reserva duas importantes datas festivas.

Nesta época do ano são realizadas duas semanas de festa no entorno da Igreja de São Bento, na qual os tradicionais bolinhos de batata são especiarias principais dos finais de semana. Já em junho, acontece a tradicional festa em homenagem ao dia do Sagrado Coração de Jesus, comemorado sempre na sexta-feira que vem após o segundo domingo de Pentecostes. Neste ano, a celebração acontece dia 11. A festa acontece na praça no entorno da Matriz por três finais de semana e na culinária os tradicionais almoços de domingo e a macarronada que embala as quermesses são as principais especiarias.

Nas duas celebrações, tanto as comemorações litúrgicas quanto festivas são organizadas pela mesma comunidade, que por tradição, devoção e respeito mantém viva a fé em seus dois padroeiros: São Bento e o Sagrado Coração de Jesus.

Michele Carneiro é repórter há dez anos. Está em Paulínia desde 2003, onde atua em todos os setores de redação e diagramação. Defende o diploma para a prática do Jornalismo e está no terceiro período do curso.

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